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Como a cafeína pode influenciar seu cérebro sem você notar

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Pesquisa revela que a cafeína pode gerar mudanças temporárias no cérebro sem alterar o sono, indicando efeitos pouco percebidos no uso diário.  |   BNews RN - Divulgação Foto: Unsplash

Publicado em 02/12/2025, às 15h31   Nathalia Quiereguini



Se você faz parte do time que começa o dia com café, e segue tomando outras xícaras ao longo da rotina, talvez nunca tenha parado para pensar no impacto real da cafeína no cérebro.

Segundo o Gazeta SP, um estudo da Universidade de Basileia, na Suíça, levantou uma questão interessante: o consumo diário, mesmo em pequenas quantidades, pode provocar mudanças temporárias na massa cinzenta.

E essas alterações acontecem mesmo quando o sono permanece igual.

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O que os pesquisadores observaram

Os cientistas acompanharam vinte pessoas que já tinham o hábito de tomar café todos os dias. Durante dez dias, elas receberam cápsulas de cafeína e precisaram evitar qualquer outra fonte do estimulante.

Depois disso, passaram mais dez dias tomando apenas placebo, para comparar os resultados.

Ao final de cada período, todos fizeram exames de ressonância magnética. Os pesquisadores queriam entender especificamente o volume de massa cinzenta, que é a região do cérebro responsável por processar informações, guardar memórias e organizar o que aprendemos.

O que chamou atenção foi a redução desse volume após os dias com cafeína, seguida de recuperação após o período sem consumo. Ou seja: a mudança existiu, mas era reversível.

Onde essas alterações apareceram

As diferenças mais claras surgiram no lobo temporal medial direito, área onde fica o hipocampo, uma das partes do cérebro mais ligadas à memória. Para saber se isso afetava o desempenho, os pesquisadores aplicaram testes de memória.

Os participantes se saíram melhor após os dias sem cafeína, reforçando a hipótese de que o consumo contínuo pode alterar o funcionamento desse sistema no curto prazo.

Isso significa que o café faz mal?

A pesquisadora Carolin Reichert destaca que não. Segundo ela, as mudanças observadas não representam danos e não indicam que tomar café diariamente seja prejudicial.

O que o estudo mostra é que o cérebro pode reagir temporariamente ao uso contínuo da substância. E como a maior parte das pesquisas até hoje analisou apenas pessoas com alguma condição prévia, ainda há muito para explorar entre indivíduos saudáveis.

E o sono?

Mesmo com as alterações cerebrais, a qualidade do sono não mudou. A fase de ondas lentas, responsável pelo descanso profundo, permaneceu igual tanto no período com café quanto no placebo.

Isso contraria a percepção comum de que qualquer dose de cafeína prejudica o sono. Pelo menos nesse estudo, isso não aconteceu.

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