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Publicado em 17/11/2025, às 10h48 - Atualizado às 10h49 Nathalia Quiereguini
Cientistas europeus estão testando uma tecnologia que promete mudar completamente a forma como astronautas se alimentam em longas missões, segundo o portal Metrópoles.
O projeto, chamado HOBI-WAN, reúne a Solar Foods (Finlândia) e a OHB System AG (Alemanha), com apoio da Agência Espacial Europeia (ESA). A proposta é ousada: transformar a urina dos tripulantes em proteína.
O sistema usa microrganismos capazes de fermentar dióxido de carbono, hidrogênio e nitrogênio. Parte desse nitrogênio vem justamente da ureia presente na urina.
A partir dessa combinação, os micróbios produzem uma proteína em pó de cor amarela e sabor neutro, conhecida como Solein.
Essa proteína pode ser usada como base para vários alimentos, como massas, cremes e até sobremesas. A intenção não é apenas “criar comida”, mas desenvolver uma tecnologia eficiente, compacta e totalmente autossustentável.
Neste momento, o sistema é testado em condições controladas. A fase inicial deve durar aproximadamente oito meses.
Só depois disso serão feitos testes na Estação Espacial Internacional para avaliar como o processo se comporta na microgravidade, um passo essencial antes de qualquer uso em missões de longa duração.
Transportar suprimentos da Terra é caro e limita a autonomia dos astronautas. Por isso, reaproveitar resíduos, como a urina, pode reduzir custos e tornar missões para a Lua e Marte muito mais viáveis.
A ESA destaca que, além de autonomia, o sistema pode melhorar o bem-estar psicológico das equipes ao garantir uma fonte contínua e estável de alimento.
Embora o foco atual seja o espaço, a tecnologia tem impacto direto em debates sobre sustentabilidade aqui no planeta.
Produzir proteína sem agricultura intensiva, sem criação animal e com consumo mínimo de água abre portas para soluções contra insegurança alimentar em regiões com recursos escassos.
Além disso, a Solein contém todos os aminoácidos essenciais e nutrientes importantes, como ferro e vitamina B12, tornando-se uma alternativa completa do ponto de vista nutricional.
Se os testes avançarem conforme previsto, a produção de proteína no espaço pode virar realidade até 2035. É uma inovação que transforma algo descartável em recurso, e reforça como a ciência está repensando cada detalhe das viagens espaciais.
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