Cidades
O comércio varejista do Rio Grande do Norte registrou a terceira queda consecutiva nas vendas em junho de 2026. Segundo dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de vendas recuou 0,1% em relação a maio, na série com ajuste sazonal.
Apesar da sequência de resultados negativos no curto prazo, o varejo potiguar mantém desempenho positivo nos principais indicadores acumulados. Entre janeiro e junho, as vendas cresceram 4,5% em relação ao primeiro semestre de 2025. Em 12 meses, a alta chegou a 5,9%, a segunda maior entre os estados brasileiros.
O resultado de junho também ficou abaixo do desempenho nacional. Enquanto o comércio do RN recuou 0,1% na comparação mensal, o varejo brasileiro avançou 0,5%.
A sequência de retrações no comércio potiguar começou em abril, quando as vendas caíram 0,2% em relação a março. Em maio, a queda foi maior, de 1,3%, seguida pela retração de 0,1% registrada em junho.
Apesar disso, na comparação com junho de 2025, o varejo restrito do estado apresentou crescimento de 2,1%. No Brasil, a alta nessa mesma comparação foi de 2,9%.
O desempenho acumulado no primeiro semestre também permaneceu acima da média nacional. Enquanto o RN registrou crescimento de 4,5% entre janeiro e junho, as vendas do varejo brasileiro avançaram 1,9% no mesmo período.
O resultado em 12 meses reforça a diferença. A alta de 5,9% registrada pelo Rio Grande do Norte ficou atrás apenas de Pernambuco, que apresentou crescimento de 6,1%. No país, a expansão foi de 1,6%.
Até maio, porém, o RN liderava esse indicador. Naquele mês, o crescimento acumulado em 12 meses era de 6,3%. A redução para 5,9% em junho mostra que o setor perdeu velocidade, embora ainda permaneça entre os estados com melhor desempenho.
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A desaceleração foi ainda mais evidente no comércio varejista ampliado, que inclui, além do varejo tradicional, segmentos como veículos, motocicletas, peças, material de construção e atacado especializado de produtos alimentícios, bebidas e fumo.
Nesse indicador, as vendas do RN caíram 1,5% em junho na comparação com maio, também considerando a série ajustada sazonalmente. Em relação a junho de 2025, houve alta de 1,4%.
No acumulado do primeiro semestre, o varejo ampliado apresentou crescimento de 2,8%. Em 12 meses, a expansão foi de 3,2%, abaixo dos índices registrados pelo varejo restrito.
A diferença entre os dois indicadores chega a 1,7 ponto percentual no acumulado de janeiro a junho: enquanto o varejo restrito cresceu 4,5%, o ampliado avançou 2,8%.
Mesmo diante da desaceleração recente, outros indicadores apontam fatores que contribuíram para sustentar o consumo no estado. Em junho, o Índice de Confiança das Famílias de Natal alcançou 92,8 pontos, maior nível em 12 meses. Apesar da melhora, o indicador permaneceu abaixo de 100 pontos, faixa que separa os níveis de pessimismo e otimismo.
Segundo o Instituto Fecomércio RN, a evolução da renda e do mercado de trabalho ajudou a melhorar a confiança dos consumidores. Até maio, Natal havia criado 2,3 mil empregos com carteira assinada.
As datas comemorativas também movimentaram a economia potiguar. Para o Dia das Mães, a Fecomércio RN estimou movimentação de R$ 482,2 milhões, alta de 3,1% em relação a 2025. Já para o Dia dos Namorados, a projeção foi de R$ 340,7 milhões, crescimento de 4,2%.
Apesar desse cenário, os levantamentos também apontaram dificuldades para o consumo. Na pesquisa sobre o Dia das Mães, 52,9% dos entrevistados que não pretendiam comprar presentes disseram que a falta de recursos financeiros era o principal motivo. Em 2025, esse percentual havia sido de 19,6%.
Os dados mostram, portanto, que o comércio potiguar continua crescendo na comparação anual, mas atravessa um período de perda de ritmo. As três quedas mensais consecutivas ainda não eliminaram os resultados positivos acumulados, mas indicam uma desaceleração da expansão registrada desde o ano passado.
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