Cidades
por Lavínia Manso
Publicado em 03/11/2026, às 09h05
O Rio Grande do Norte teve 86% do território atingido pela seca em setembro, segundo dados do Monitor de Secas divulgados pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) em 19 de outubro. Além do crescimento da área afetada, houve aumento da intensidade da estiagem, que pode se agravar nos próximos meses com a possibilidade de menos chuvas associada ao El Niño.
A parcela do estado classificada em seca moderada saltou de 25% para 61% entre agosto e setembro. No mesmo intervalo, a extensão total das áreas com algum grau de seca passou de 79% para 86%.
O percentual de setembro foi o maior desde março deste ano, quando a seca alcançava 93% do território potiguar. Já a intensidade do fenômeno chegou ao patamar mais elevado desde abril de 2026.
Um boletim do Painel El Niño 2026-2027, publicado na quinta-feira (29), aponta que o fenômeno poderá atingir intensidade muito forte entre novembro deste ano e janeiro de 2027. A previsão indica a possibilidade de um dos episódios mais intensos registrados desde 1950, com permanência pelo menos até o primeiro trimestre do próximo ano.
O documento reúne o trabalho de sete órgãos federais. Entre eles estão a ANA, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
Para o período de novembro a janeiro, os modelos climáticos indicam maior probabilidade de chuvas abaixo da média em áreas do Nordeste. Também são esperadas temperaturas superiores aos padrões habituais em grande parte do Brasil.
O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial apresentam aquecimento anormal. Essa mudança interfere na circulação da atmosfera e modifica o regime de chuvas em diferentes regiões do planeta.
Os efeitos no território brasileiro variam conforme a localização. Enquanto o Sul pode receber precipitações acima da média, partes do Norte e do Nordeste ficam mais sujeitas à redução dos volumes de chuva.
O cenário nordestino já apresentava sinais de agravamento antes desse período previsto de maior intensidade do El Niño. Em setembro, 96% do território da região registrava algum grau de seca, a maior proporção entre as regiões brasileiras. Entre agosto e setembro, a estiagem se intensificou em 14 unidades da Federação.
Dados parciais de outubro do Cemaden mostram que o avanço da estiagem também aparece na quantidade de municípios brasileiros enquadrados nas categorias mais intensas de seca.
Em agosto, quatro municípios estavam classificados em seca extrema. Em outubro, o total chegou a 68. Na categoria de seca severa, o número aumentou de 153 para 232 no mesmo intervalo.
Os levantamentos mostram a expansão e o agravamento da seca em diferentes partes do país. No Nordeste, a elevada proporção de áreas já afetadas amplia a preocupação com a previsão de chuvas abaixo da média nos próximos meses.
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