Cidades

RN registra 3.870 amputações em quatro anos e especialistas alertam para diabetes

José Aldenir
Dados da Sesap revelam a gravidade das amputações no Rio Grande do Norte, destacando a necessidade de prevenção e diagnóstico precoce  |   BNews RN - Divulgação José Aldenir
Lavínia Manso

por Lavínia Manso

Publicado em 04/11/2026, às 09h18



O Rio Grande do Norte contabilizou 3.870 amputações nos últimos quatro anos, conforme registros da Plataforma Regula Vascular, da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap). Divulgado no início da campanha Novembro Diabetes Azul, o levantamento levou a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia no Rio Grande do Norte (SBEM-RN) a reforçar o alerta sobre a prevenção de complicações do diabetes, embora os dados não informem quantos procedimentos foram diretamente provocados pela doença.

As amputações de dedos representam a maior parcela dos registros, com 1.865 procedimentos. Outros 1.396 envolveram membros inferiores, 598 foram classificados como amputações de pé e tarso e 11 atingiram mão e punho.

Segundo a SBEM-RN, complicações do diabetes estão associadas a grande parte das amputações. A entidade considera os números um sinal da necessidade de fortalecer o diagnóstico precoce e o acompanhamento dos pacientes.

Doença pode comprometer circulação e dificultar percepção de feridas

O diabetes pode prejudicar a circulação sanguínea e reduzir a sensibilidade dos membros. Essas alterações favorecem o surgimento de feridas que, sem os cuidados adequados, podem evoluir para infecções graves e levar à necessidade de amputação.

A presidente da SBEM-RN, endocrinologista Anna Karina, avalia que a quantidade de procedimentos exige atenção tanto das autoridades quanto da população. Para ela, ampliar a conscientização é fundamental para evitar consequências graves e até fatais.

A campanha Novembro Diabetes Azul, promovida pela entidade, busca incentivar a identificação precoce da doença e a continuidade do tratamento. Segundo as informações apresentadas, mais de 16 milhões de brasileiros vivem com diabetes, cerca de 7% da população.

Os impactos também podem atingir o coração, os rins, a visão e o sistema nervoso. No Brasil, o diabetes é apontado como a segunda principal causa de insuficiência renal com necessidade de diálise, associado a aproximadamente 32% dos casos.

Acompanhamento está disponível na rede pública

Para reduzir o risco de complicações, a SBEM-RN orienta que pessoas com diabetes mantenham consultas regulares e o controle da glicemia. O acompanhamento permite reconhecer alterações antes que elas causem danos mais graves.

Anna Karina também defende a participação de profissionais de diferentes áreas no atendimento, incluindo nutrição, cardiologia, nefrologia, oftalmologia e angiologia. A atuação conjunta considera a possibilidade de a doença comprometer vários órgãos ao mesmo tempo.

Na rede pública, os pacientes podem buscar atendimento gratuito nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Também há fornecimento de medicamentos, insulina e materiais para monitorar e controlar a glicemia, de acordo com os critérios de cada tratamento.

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