Cidades
O Rio Grande do Norte ultrapassou uma marca importante no armazenamento de água. Os 69 reservatórios acompanhados pelo Instituto de Gestão das Águas do Rio Grande do Norte (IGARN) chegaram, nesta segunda-feira (10), a 51,11% da capacidade total de armazenamento.
Ao todo, os mananciais acumulam 2.706.696.580 metros cúbicos de água. A capacidade máxima das estruturas monitoradas é de 5.295.422.524 metros cúbicos, o que significa que ainda há espaço para armazenar aproximadamente 48,89% do volume total.
O percentual registrado nesta segunda-feira representa a ocupação de pouco mais da metade da capacidade dos principais reservatórios monitorados pelo IGARN.
Em termos absolutos, são mais de 2,7 bilhões de metros cúbicos de água armazenados nas estruturas que integram o acompanhamento realizado pelo Instituto em diferentes regiões do estado.
O monitoramento permite acompanhar de forma contínua as oscilações nos níveis dos mananciais e identificar como o volume armazenado evolui ao longo do período.
O que 51,11% representa para o RN?
Mais da metade da capacidade está ocupada, mas o número não significa que toda essa água esteja disponível para consumo
Os reservatórios monitorados pelo IGARN chegaram a 51,11% da capacidade total, mas esse percentual não deve ser interpretado como se metade da água do Estado estivesse automaticamente disponível para abastecimento.
O volume armazenado precisa ser analisado em conjunto com fatores como localização dos mananciais, vazões de entrada e saída, demandas de abastecimento, condições de captação e regras de operação de cada sistema.
A água dos reservatórios também atende diferentes finalidades, como abastecimento urbano e rural, irrigação e atividades econômicas. Por isso, a gestão hídrica considera os chamados usos múltiplos da água.
Na prática, o dado de 51,11% representa uma fotografia do armazenamento dos 69 mananciais monitorados nesta segunda-feira (10). A situação hídrica de cada região pode ser diferente da média estadual.
IGARN monitora 69 reservatórios
Os dados divulgados pelo Instituto consideram as reservas hídricas superficiais dos principais mananciais do Rio Grande do Norte que fazem parte da rede de monitoramento estadual.
Ao acompanhar o comportamento dos reservatórios, o IGARN reúne informações que servem de apoio ao planejamento e à gestão dos recursos hídricos.
A análise dos volumes armazenados também permite observar as condições de cada manancial e o comportamento das reservas ao longo do ano.
Água também precisa ser distribuída
Obras de adutoras buscam levar água dos grandes reservatórios para regiões que enfrentam maior dificuldade de abastecimento
O armazenamento nos açudes é apenas uma parte da equação da segurança hídrica. Para que a água chegue às cidades, é necessária uma infraestrutura capaz de transportar o recurso dos mananciais até os sistemas de abastecimento.
Uma das principais obras em andamento no estado é o Sistema Adutor Agreste Potiguar, executado pela Codevasf. O empreendimento tem investimento de aproximadamente R$ 448 milhões e prevê cerca de 170 quilômetros de extensão.
Quando concluído, o sistema deverá atender 38 municípios e beneficiar aproximadamente 510 mil pessoas, com capacidade para transportar até 3 milhões de litros de água por hora. A obra integra as ações de segurança hídrica do Novo PAC.
O projeto prevê a captação de água no rio Guaju e a integração de três sistemas adutores intermunicipais, com vazão total de aproximadamente 890 litros por segundo. Dezesseis municípios serão atendidos diretamente e outros 22, indiretamente.
Outro projeto importante está no Seridó. O Sistema de Adutoras do Seridó tem trechos que utilizarão água dos reservatórios Armando Ribeiro Gonçalves e Oiticica. Uma das etapas em andamento prevê 113 quilômetros de tubulações e capacidade de fornecimento de 375 litros por segundo para atender cerca de 162 mil pessoas em municípios como Caicó, Florânia, Cruzeta, São Vicente e Currais Novos.
Ainda há espaço para quase metade da capacidade
Apesar de os reservatórios já terem ultrapassado a marca de 50% de armazenamento, o volume registrado ainda está distante da capacidade máxima do conjunto monitorado.
Dos 5,29 bilhões de metros cúbicos que podem ser armazenados pelas 69 estruturas, cerca de 2,59 bilhões de metros cúbicos ainda correspondem ao espaço disponível.
O acompanhamento dos níveis permanece, portanto, fundamental para orientar decisões relacionadas à utilização e à preservação das reservas hídricas do Rio Grande do Norte.
O que acontece com a água dos grandes reservatórios?
O volume armazenado é administrado de acordo com as necessidades de diferentes regiões e setores do Estado
A gestão dos grandes reservatórios não considera apenas o volume disponível. É necessário definir quanto pode ser utilizado, para quais finalidades e como a água será distribuída entre diferentes usuários.
Em junho deste ano, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) coordenou uma negociação envolvendo os sistemas Oiticica, Armando Ribeiro Gonçalves e Mendubim, no Rio Grande do Norte.
O acordo definiu a transferência de 280 hectômetros cúbicos de água de Oiticica para Armando Ribeiro Gonçalves, buscando conciliar as necessidades do Seridó com as demandas existentes no Baixo Açu.
O Armando Ribeiro Gonçalves atende diferentes usos na região, incluindo abastecimento, agricultura irrigada e produção de camarão, entre outras atividades que dependem da disponibilidade hídrica. A entrada de Oiticica no sistema de alocação também criou uma nova configuração para a gestão da água na região.
Esse tipo de operação mostra por que o percentual de armazenamento estadual precisa ser analisado junto com a forma como os recursos estão distribuídos e administrados. Ter mais água acumulada melhora a condição geral dos mananciais, mas a segurança hídrica depende também de infraestrutura, planejamento e regras de uso.
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