Cidades
por Giovana Gurgel
Publicado em 13/05/2026, às 14h47 - Atualizado em 26/05/2026, às 12h32
A família da menina Maria Clara Gomes, de 10 anos, internada desde segunda-feira (11) na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Pajuçara, na Zona Norte de Natal, cobra um diagnóstico conclusivo sobre o estado de saúde da criança após uma suspeita de reação ligada ao uso de um detergente da marca Ypê.
Segundo os parentes, os sintomas começaram depois que a menina lavou as mãos utilizando o produto enquanto estava com um pequeno corte em uma das mãos. O lote do detergente termina com o número 1, mesma identificação citada na determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
De acordo com a família, Maria Clara apresentou manchas pelo corpo, dores intensas, perda de força nas pernas e dificuldade para caminhar. A mãe da criança, Tatiana Gomes, afirmou que a filha precisou ser carregada pelo pai até a unidade de saúde após perder os movimentos das pernas.
Os familiares afirmam que os médicos trabalham com a suspeita de uma bactéria, mas alegam que ainda não receberam informações precisas sobre qual seria o agente causador do quadro clínico da menina.
Em entrevista à TV Tropical, Tatiana Gomes afirmou que a filha nunca teve histórico de alergias ou doenças graves. Segundo ela, os primeiros sinais surgiram após Maria Clara retornar da escola.
A mãe contou que recebeu uma ligação da unidade de ensino informando que a criança apresentava manchas atrás da orelha e na palma da mão, justamente na região onde havia o corte. Pouco tempo depois, o quadro teria se agravado.
“Ela nunca teve histórico de alergia. Era uma menina saudável”, declarou Tatiana. Em outro momento, emocionada, ela afirmou que deseja apenas descobrir a causa do problema. “Eu só quero um exame para saber o que minha filha tem.”
Segundo os parentes, Maria Clara vem recebendo antibióticos, adrenalina e medicamentos antialérgicos enquanto permanece internada. Mesmo assim, a família relata preocupação com a evolução do estado de saúde da criança.
Documentos apresentados pelos familiares indicam que a paciente deu entrada na UPA com reações alérgicas recorrentes, dores nos pés e nas mãos, além de dificuldade de locomoção. A família também informou que acionou um advogado para solicitar acesso ao prontuário médico da menina e acompanha a realização de exames que possam identificar a origem do problema.
Foto: TV Tropical
Os pais da criança afirmam ainda que Maria Clara necessita de transferência para uma unidade hospitalar de maior complexidade. Segundo eles, o encaminhamento depende da regulação estadual.
“Ela precisa ser atendida em um hospital especialista”, afirmou o pai da menina.
Os familiares ressaltam que passaram a relacionar o caso ao detergente somente após a divulgação de notícias sobre lotes da marca Ypê atingidos por medidas sanitárias.
“Eu não estou dizendo que é do detergente. Eu só quero uma resposta”, declarou a mãe.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Natal informou que a equipe da unidade vem realizando todos os procedimentos de acolhimento e assistência necessários à paciente. A pasta acrescentou que Maria Clara foi inserida no sistema de regulação do Governo do Estado para exames e avaliação mais detalhada do quadro clínico.
A Anvisa determinou, na última quinta-feira (7), a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso de diversos produtos da marca Ypê fabricados pela empresa Química Amparo.
A decisão foi publicada por meio da Resolução RE nº 1.834/2026 e inclui detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes produzidos na unidade da empresa localizada em Amparo, no interior de São Paulo. Segundo a agência, apenas os lotes terminados com o número 1 foram atingidos pela medida.
A determinação ocorreu após inspeções sanitárias identificarem falhas consideradas graves no processo de produção da empresa. A Anvisa informou que já havia detectado, em novembro do ano passado, a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras analisadas.
Entre os problemas apontados estão irregularidades nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle sanitário dos produtos saneantes. De acordo com a agência, as falhas comprometem o cumprimento das Boas Práticas de Fabricação (BPF), conjunto de normas obrigatórias para a indústria.
A Anvisa também alertou para o risco de contaminação microbiológica, situação que pode representar ameaça à segurança sanitária dos consumidores.
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