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Casos de intoxicação derrubam vendas de peixe e afetam pescadores no RN

Foto: José Aldenir/Agora RN
Casos de intoxicação derrubam vendas de peixe e afetam pescadores no RN  |   BNews RN - Divulgação Foto: José Aldenir/Agora RN
Mayane Bezerra

por Mayane Bezerra

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Publicado em 02/05/2026, às 08h23



A comercialização de pescado em Natal caiu cerca de 90% devido a casos de intoxicação por ciguatera, afetando diretamente a renda de pescadores e comerciantes e gerando preocupações em toda a cadeia produtiva.

O receio dos consumidores se estende a espécies de peixe não relacionadas aos casos de contaminação, resultando em uma queda geral na demanda, mesmo para peixes considerados seguros.

Reuniões entre a Secretaria de Agricultura e representantes do setor foram realizadas para discutir ações, mas pescadores relatam falta de diálogo com o Ibama e dificuldades econômicas, como estoques parados e queda nas vendas.

Resumo gerado por IA

A comercialização de pescado em Natal registrou queda de cerca de 90% nos últimos dias, segundo a Federação dos Pescadores do Rio Grande do Norte. A retração ocorre em meio à repercussão de casos de intoxicação por ciguatera associados ao consumo de peixe.

O impacto já atinge diretamente a renda de pescadores e comerciantes, com reflexos em toda a cadeia produtiva.

Mercado afetado e reação do setor

De acordo com a entidade, o receio dos consumidores acabou afetando até espécies que não estão relacionadas aos episódios de contaminação. A intoxicação por ciguatera está associada principalmente ao consumo de peixes como bicuda e arabaiana, geralmente encontrados em áreas de arrecifes.

A toxina se forma a partir de organismos presentes nessas regiões, sendo ingerida por peixes menores e, posteriormente, acumulada em espécies maiores. Apesar disso, o temor generalizado tem reduzido a procura por diferentes tipos de pescado, inclusive aqueles considerados seguros.

Diante do cenário, houve uma reunião entre a Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca do RN e representantes da categoria para levantar informações e subsidiar ações da Secretaria de Estado da Saúde Pública do RN.

Mesmo assim, pescadores apontam que ainda não houve diálogo com o Ibama e avaliam que não há viabilidade para um período de defeso neste momento.

Os efeitos econômicos já são visíveis. Há relatos de estoques parados, queda nas vendas para hotéis e restaurantes e até embarcações sendo colocadas à venda por falta de demanda.

Casos, sintomas e alerta de saúde

O Rio Grande do Norte soma atualmente 115 casos de intoxicação por ciguatera. Segundo a Sesap, o estado é o único do país a realizar notificação específica para esse tipo de contaminação.

Apenas em 2025, já foram confirmados 90 casos, o que levou a pasta a emitir orientações para a população, comerciantes e profissionais de saúde.

Os sintomas da ciguatera podem surgir entre 30 minutos e 24 horas após o consumo do pescado contaminado. Entre os sinais mais comuns estão dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, dores de cabeça, coceira intensa, fraqueza muscular e gosto metálico na boca, podendo persistir por semanas ou até meses.

Diante do avanço dos casos, autoridades reforçam a importância de atenção ao consumo e à procedência dos alimentos, enquanto o setor pesqueiro enfrenta um dos momentos mais delicados dos últimos anos.

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