Política
Publicado em 01/05/2026, às 12h14 Foto: reprodução Ranyere Fonseca
A Avenida Engenheiro Roberto Freire, na zona Sul de Natal, foi palco de uma grande mobilização na manhã desta sexta-feira (1º), feriado do Dia do Trabalhador. Centenas de manifestantes se reuniram para protestar contra a jornada de trabalho 6x1 (seis dias de trabalho para um de descanso), defendendo a redução da carga horária sem redução salarial.
O ato em Natal acompanhou uma agenda nacional de caminhadas em diversas capitais. Na capital potiguar, a concentração começou cedo e seguiu em caminhada no sentido Ponta Negra. A mobilização ganhou contornos políticos com a presença da governadora Fátima Bezerra (PT), que caminhou ao lado dos trabalhadores. Também marcaram presença a deputada federal Natália Bonavides, o deputado federal Fernando Mineiro, além de nomes como Cadu Xavier, Samanda Alves, Divaneide Basílio e outros representantes de centrais sindicais.
O debate sobre o fim da escala 6x1 entrou em uma fase decisiva em Brasília. Após ter a constitucionalidade aprovada pela CCJ da Câmara, o projeto agora está sob análise de uma Comissão Especial.
Segundo o deputado Alencar Santana (PT-SP), presidente da comissão, a meta é apresentar o texto final até o final deste mês de maio.
"É uma pauta com forte apoio popular e os deputados querem entregar esse benefício que garante mais tempo com a família e vida digna", afirmou. O rito prevê pelo menos 10 sessões para apresentação de emendas antes da votação do relatório final.
Apesar do entusiasmo das ruas, a proposta enfrenta forte resistência de setores produtivos. Entidades como a Abrasel (Bares e Restaurantes) alertam para um possível aumento de custos. Paulo Solmucci, presidente da associação, estima que a mudança pode gerar um repasse de até 8% nos preços ao consumidor final.
Críticos como o deputado Kim Kataguiri (União-SP) e o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), argumentam que a medida pode estimular a informalidade e prejudicar pequenas e médias empresas, que hoje detêm 80% dos empregos formais no país. Eles defendem modelos mais flexíveis, como o pagamento por hora trabalhada.
Enquanto o Congresso Nacional calcula os impactos econômicos, o apoio popular segue em alta: pesquisas apontam que 72% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala atual, o que coloca pressão sobre os parlamentares em um ano de movimentações políticas intensas.