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Política

Viagens em série e suspeitas: PF mapeia elo entre lobista e filho de Lula

Levantamento da PF revela viagens conjuntas entre Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, levantando suspeitas de proximidade  |  Fotos: Arquivo pessoal/Juca Varella/Estadão

Publicado em 22/12/2025, às 12h56   Fotos: Arquivo pessoal/Juca Varella/Estadão   Giovana Gurgel

Lobista e Lulinha viajaram juntos ao menos seis vezes em 2024 e 2025. Levantamento da Polícia Federal aponta que a empresária Roberta Moreira Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embarcaram em voos nacionais e internacionais com reservas feitas sob o mesmo código localizador.

Os registros mostram um deslocamento internacional para Portugal, em junho de 2024, além de cinco trechos dentro do Brasil entre abril e junho de 2025. Para os investigadores, o compartilhamento das reservas reforça indícios de proximidade entre os dois, embora Fábio Luís não seja investigado nem tenha sido alvo de medidas judiciais.

A empresária foi alvo de busca e apreensão em nova fase da operação Sem Desconto, que apura um esquema de desvios ilegais em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A ação foi deflagrada pela Polícia Federal e resultou em restrições impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Restrições judiciais e histórico de proximidade

Por decisão do STF, Roberta Luchsinger passou a usar tornozeleira eletrônica, teve o passaporte recolhido e está proibida de deixar o país ou manter contato com outros investigados. As medidas foram adotadas no contexto da apuração que envolve fraudes e lavagem de dinheiro.

Documentos obtidos pela Polícia Federal detalham os voos feitos com reservas compartilhadas, incluindo trajetos entre São Paulo, Brasília, São Luís e Lisboa. Em quase todos, aparecem apenas os nomes de Roberta e Fábio Luís. Em uma das viagens, para o Maranhão, constam também familiares, entre eles a esposa de Lulinha e filhos do casal.

Registros oficiais do Palácio do Planalto, obtidos via Lei de Acesso à Informação, indicam que ambos circularam pela sede do Executivo em datas próximas ao longo de 2024, o que reforçou a atenção dos investigadores sobre a relação entre a lobista e o filho do presidente.

Investigações, pagamentos e suspeita de tráfico de influência

Segundo a Polícia Federal, Roberta teve papel central na estrutura financeira ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como operador do esquema. Os investigadores afirmam que ela atuou na ocultação de patrimônio e movimentação de valores por meio de empresas de fachada.

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostram que a empresa de Roberta recebeu R$ 1,5 milhão em cinco transferências de R$ 300 mil feitas por companhias ligadas ao Careca do INSS. Não foram encontradas evidências de prestação efetiva de serviços de consultoria.

Mensagens analisadas pela Polícia Federal citam pagamentos que fariam referência a “o filho do rapaz”, expressão que, segundo documentos da investigação, diz respeito a Fábio Luís Lula da Silva. O conjunto de indícios levou os investigadores a enquadrar a atuação dos envolvidos, em tese, no crime de tráfico de influência previsto no Código Penal.

Defesa nega irregularidades e pede cautela

Procurada, Roberta Luchsinger afirmou que não comentaria o caso e encaminhou as demandas à defesa. O advogado Bruno Salles disse que os fatos estão fora de contexto e que os esclarecimentos serão apresentados no momento oportuno, negando qualquer ligação da empresária com fraudes no INSS.

A defesa sustenta que Roberta atua na intermediação de negócios e que a relação com Fábio Luís é pessoal e antiga, o que explicaria viagens realizadas em conjunto. O advogado também afirmou que tratativas comerciais citadas na investigação não avançaram.

As apurações seguem em curso na Polícia Federal, com acompanhamento do STF e da comissão parlamentar de inquérito, comissão parlamentar de inquérito (CPI), instalada no Congresso Nacional para investigar os desvios no INSS.

Classificação Indicativa: Livre


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