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Quem será o vice? Isolado após perder o Centrão, Flávio Bolsonaro faz anúncio decisivo para sua campanha

A decisão de optar por uma chapa pura do PL reflete o isolamento político enfrentado por Flávio Bolsonaro na busca por alianças eleitorais  |  Reprodução Internet

Publicado em 05/08/2026, às 09h07   Reprodução Internet   Redação

A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) deve ganhar um novo capítulo nesta quarta-feira (5), com a oficialização do senador Rogério Marinho (PL-RN) como candidato a vice-presidente da República. 

Embora o anúncio ainda dependa da coletiva marcada para as 11h, em Brasília, integrantes da campanha tratam a escolha como praticamente definida, salvo uma mudança de última hora.

A confirmação representa mais do que a definição de um companheiro de chapa. Nos bastidores, ela simboliza o desfecho de uma estratégia que não saiu como o planejado.

Sem conseguir atrair partidos de centro para uma aliança eleitoral, Flávio acabou recorrendo à chamada "chapa pura", composta exclusivamente por nomes do PL.

A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) deve ganhar um novo capítulo nesta quarta-feira (5), com a oficialização do senador Rogério Marinho (PL-RN) como candidato a vice-presidente da República. Foto: Carlos Moura/Agência Senado.

Isolamento político muda estratégia da campanha

A formação da chapa ocorre em um cenário de isolamento político. A principal meta da campanha era construir uma coligação com legendas de maior capilaridade nacional, especialmente PP, União Brasil e Republicanos.

Além do ganho político, essas alianças garantiriam mais tempo no horário eleitoral gratuito, fator considerado estratégico em campanhas presidenciais.

O cenário, porém, mudou rapidamente nos últimos dias.

O PP decidiu permanecer neutro na disputa presidencial durante convenção realizada no último fim de semana. Na sequência, o União Brasil adotou a mesma posição. Como as duas legendas integram a Federação União Progressista, a decisão conjunta inviabilizou qualquer composição formal com o PL.

Sem esses apoios, a campanha perdeu uma de suas principais apostas para ampliar sua competitividade nacional.

Tereza Cristina era o plano inicial

Antes do fechamento da chapa, o nome mais forte para a vice-presidência era o da senadora Tereza Cristina (PP-MS).

Ex-ministra da Agricultura e uma das principais lideranças do agronegócio, ela reunia atributos considerados estratégicos pela coordenação da campanha. Além do prestígio junto ao setor produtivo, mantinha boa interlocução com o mercado financeiro e poderia facilitar uma aproximação com segmentos do centro político.

A neutralidade adotada pelo PP, entretanto, praticamente enterrou essa possibilidade.

Sem o respaldo formal do partido, a participação de Tereza Cristina deixou de ser viável.

Antes do fechamento da chapa, o nome mais forte para a vice-presidência era o da senadora Tereza Cristina (PP-MS).

Plano de lançar uma mulher perde força

A dificuldade para construir alianças também derrubou outra estratégia discutida nos bastidores.

Integrantes da campanha defendiam que a vaga de vice fosse ocupada por uma mulher, numa tentativa de reduzir a resistência do eleitorado feminino ao projeto presidencial de Flávio Bolsonaro.

A avaliação era de que uma composição feminina poderia ampliar o diálogo com esse segmento do eleitorado e transmitir uma imagem de maior equilíbrio político.

Com a falta de acordos partidários e a necessidade de recorrer a um nome já consolidado dentro do PL, essa hipótese acabou sendo abandonada.

Rogério Marinho consolida espaço na campanha

Caso seja confirmado, Rogério Marinho chega à condição de vice após atuar como um dos principais articuladores políticos da campanha presidencial.

Senador pelo Rio Grande do Norte, ex-ministro do Desenvolvimento Regional e figura influente dentro do PL, ele vinha sendo apontado como favorito para ocupar a vaga desde que as negociações externas começaram a perder força.

Sua escolha reforça a opção por uma chapa formada exclusivamente por lideranças do partido, priorizando alinhamento político e unidade interna.

Por outro lado, analistas avaliam que a composição também evidencia as dificuldades encontradas pelo PL para ampliar sua base de sustentação entre partidos do chamado centro político.

O que será anunciado

A definição da chapa será oficializada durante coletiva de imprensa marcada para esta quarta-feira (5), em Brasília.

O evento ocorrerá às 11h, no Teatro Juca Chaves, localizado no Brasil 21, no mesmo prédio da sede nacional do PL.

Até o anúncio oficial, a campanha mantém cautela e evita confirmar publicamente o nome do vice. Nos bastidores, porém, a expectativa predominante é de que Rogério Marinho seja confirmado, encerrando dias de especulações sobre a composição da chapa presidencial.


Quem é Rogério Marinho

Economista e político potiguar, Rogério Simonetti Marinho, de 62 anos, é uma das principais lideranças do Partido Liberal (PL) e um dos aliados mais próximos do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nascido em Natal, em 26 de novembro de 1963, ele exerce atualmente o mandato de senador pelo Rio Grande do Norte, conquistado nas eleições de 2022.

Neto do ex-deputado federal Djalma Marinho, iniciou sua trajetória política em partidos de centro-esquerda, como o PSB, e posteriormente integrou o PSDB, legenda pela qual construiu grande parte de sua carreira. Em 2021, migrou para o PL, consolidando sua aproximação com o bolsonarismo.

Marinho foi deputado federal pelo Rio Grande do Norte por três mandatos consecutivos e também ocupou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado durante o governo Rosalba Ciarlini.

Protagonista das reformas

Seu nome ganhou projeção nacional em 2017, quando foi relator da reforma trabalhista aprovada durante o governo Michel Temer. A proposta promoveu uma ampla atualização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), alterando mais de uma centena de dispositivos e criando modalidades como o contrato de trabalho intermitente.

Enquanto entidades empresariais defenderam a reforma como uma medida de modernização das relações de trabalho e incentivo à geração de empregos, centrais sindicais e especialistas críticos afirmaram que as mudanças reduziram direitos trabalhistas e ampliaram a precarização das relações de emprego.

Após não conseguir a reeleição para a Câmara dos Deputados em 2018, Rogério Marinho foi convidado por Jair Bolsonaro para assumir a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia. No cargo, participou diretamente da articulação política que resultou na aprovação da reforma da Previdência em 2019, considerada uma das principais agendas econômicas do governo.

Ministro de Bolsonaro

Em 2020, foi nomeado ministro do Desenvolvimento Regional, função que exerceu até março de 2022. À frente da pasta, coordenou políticas voltadas para infraestrutura, habitação, mobilidade urbana, defesa civil e desenvolvimento regional.

O ministério também era responsável pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), estatal que ampliou significativamente seu orçamento durante o governo Bolsonaro.

O ministério também era responsável pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), estatal que ampliou significativamente seu orçamento durante o governo Bolsonaro e passou a ocupar papel central na execução de obras e investimentos em diversas regiões do país.

Desde 2023, Rogério Marinho ocupa uma cadeira no Senado Federal e tornou-se um dos principais articuladores políticos da oposição ao governo federal, além de integrar o núcleo mais próximo do ex-presidente Jair Bolsonaro dentro do PL.

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