Política
Publicado em 12/02/2026, às 17h17 Reprodução/Conjur José Nilton Jr.
Interlocutores do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) afirmam que ganhou força, nas duas instituições, a avaliação de que o ministro Dias Toffoli deveria se afastar da relatoria do caso Banco Master como forma de reduzir a tensão entre o STF e a Procuradoria-Geral da República (PGR).
A expectativa é que o tema seja tratado na reunião convocada para a tarde desta quinta-feira (12), no Supremo. Nos bastidores, ministros avaliam que Toffoli poderá receber a recomendação direta para deixar o processo.
Caso o ministro decida permanecer na condução do caso, aliados de Gonet indicam que o procurador-geral pode rever sua posição e passar a defender formalmente o afastamento, movimento que até agora vinha sendo evitado.
Pelas regras processuais, apenas o próprio ministro ou a Procuradoria-Geral da República podem suscitar a suspeição de Toffoli. Isso significa que um eventual pedido formal de afastamento depende dessas duas frentes institucionais.
Uma alternativa discutida nos bastidores seria o presidente do STF reconhecer eventual conflito e submeter a decisão ao plenário da Corte. No entanto, essa hipótese é considerada improvável neste momento.
O cenário jurídico impõe limites claros, o que torna o desfecho diretamente condicionado à postura do próprio relator ou à iniciativa da PGR.
Enquanto o impasse se intensifica, Paulo Gonet tem atuado para conter pressões internas e evitar um movimento precipitado. Segundo relatos, ele também tem segurado apelos de parlamentares que defendem a declaração imediata de suspeição do ministro.
Apesar disso, procuradores ouvidos nesta quinta-feira afirmaram que há maioria expressiva dentro do Ministério Público favorável ao afastamento de Toffoli da relatoria.
O ambiente nos bastidores é descrito como delicado, com avaliação de que uma decisão nos próximos dias poderá redefinir a relação entre as duas instituições e influenciar os rumos da investigação.