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Política

PDT marca convenção para oficializar Rafael Motta ao Senado mesmo sob resistência de ala do PT

Convenção do PDT será realizada no dia 25 de julho para confirmar Rafael Motta ao Senado, enquanto o PT ainda discute internamente  |  

Publicado em 16/07/2026, às 15h31 - Atualizado às 16h15      BNews RN

O PDT do Rio Grande do Norte marcou para o próximo dia 25 de julho a Convenção Estadual que irá homologar as candidaturas do partido para as eleições de 2026, incluindo a do ex-deputado federal Rafael Motta ao Senado. A definição do calendário ocorre em meio à resistência manifestada por uma corrente interna do PT, ligada à deputada federal Natália Bonavides, que defende a substituição do pedetista por um nome do PSOL na chapa majoritária do campo governista.

A convenção será realizada às 9h, no Auditório Nísia Floresta, no IFESP, em Natal, quando os convencionais deliberarão sobre candidaturas e apoios aos cargos de governador, vice-governador, senador, suplentes, deputados federais e estaduais, além da proposta de coligação e demais procedimentos para o registro das candidaturas.

Na prática, ao manter o cronograma e convocar oficialmente sua convenção, o PDT sinaliza que segue tratando como consolidada a pré-candidatura de Rafael Motta ao Senado, mesmo diante das discussões internas na base governista.

Fontes ligadas a Rafael Motta ouvidas pelo BNews RNafirmaram que ele segue tranquilo, "até porque o próprio presidente do PT Edinho Silva confirmou o nome de Rafael para compor a chapa majoritária do time de Lula", destacou um interlocutor.

Outra fonte lembrou que o próprio Lula, em visita recente ao Rio Grande do Norte,  fez questão de chamar Rafael ao palco do evento oficial realizado no município de Major Sales, como pré-candidato ao Senado.

Clima pesado com ala petista

A movimentação do PDT acontece dias depois da corrente Articulação de Esquerda, ala minoritária do PT no Rio Grande do Norte liderada politicamente por Natália Bonavides, divulgar documento defendendo que a segunda vaga ao Senado da chapa governista seja destinada ao PSOL.

O texto sustenta que a composição deveria ser formada exclusivamente por partidos identificados com o campo da esquerda e, por isso, propõe que Rafael Motta fique fora da aliança.

Internamente há lembranças de que Rafael Motta votou a favor do impeachment de Dilma, histórico que ainda irrita e incomoda parte dos petistas mais radicais.

Brisa confirma que PT ainda não decidiu apoio

A vereadora de Natal Brisa Bracchi (PT) afirmou que o apoio a Rafael Motta ainda não foi deliberado oficialmente pelo partido. Segundo ela, a definição ocorrerá apenas durante o encontro de tática do PT, marcado para 24 de julho, um dia antes da convenção pedetista.

Ela ressaltou que o documento divulgado representa a posição de uma corrente interna e afirmou que o partido possui tradição de debates internos antes da definição da estratégia eleitoral.

A vereadora também reconheceu que há setores da militância resistentes ao nome de Rafael Motta, especialmente em razão dos embates travados entre ele e Natália Bonavides durante a disputa pela Prefeitura de Natal em 2024.

Apesar disso, Brisa declarou que, após a decisão partidária, a tendência é que o PT atue de forma unificada durante a campanha.

Sandro Pimentel comemora pressão 

O presidente estadual do PSOL, Sandro Pimentel, comemorou publicamente a nota divulgada pela Articulação de Esquerda do PT que defende a indicação do PSOL para ocupar a segunda vaga ao Senado na chapa governista.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Sandro afirmou ter ficado “feliz demais" com a manifestação da corrente petista e disse esperar que a proposta avance dentro do Partido dos Trabalhadores.

Dentro do PDT, no entanto, a análise é que a posição de Sandro não representa nenhum risco a uma possível substituição de candidaturas. Os pedetistas lembram que Sandro enfrenta impedimentos jurídicos decorrentes da cassação de seu mandato pela Justiça Eleitoral.

Em 2020, o Tribunal Superior Eleitoral confirmou, por unanimidade, a cassação do então deputado estadual por irregularidades na prestação de contas da campanha de 2018. A decisão apontou o recebimento de recursos financeiros sem a devida comprovação da origem, irregularidade considerada suficiente para a perda do mandato.

Na ocasião, o TSE concluiu que houve recebimento irregular de R$ 55.644,91, valor que representava mais de 83% das despesas da campanha, mantendo integralmente a decisão do TRE-RN.

"Como a decisão foi em órgão colegiado, Sandro passou a enfrentar os efeitos eleitorais decorrentes da condenação pela lei da ficha limpa", ressalta a fonte pedetista.

Classificação Indicativa: Livre


TagsLulaEleições 2026Natália bonavidesRafael motta