Política
Publicado em 18/02/2026, às 12h58 Marcelo Chello/CJPress José Nilton Jr.
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou uma operação da Polícia Federal (PF) para investigar acessos e possíveis vazamentos de dados de ministros e familiares pela Receita Federal, provocou desconforto entre integrantes da Corte.
Nos bastidores, magistrados relataram incômodo com a forma como a medida foi adotada, afirmando que não houve consulta prévia aos demais ministros antes da autorização da ofensiva policial.
A iniciativa abriu uma nova frente de tensão interna, justamente em um momento em que o tribunal tenta conter desgastes acumulados nos últimos meses.
Parte dos ministros avalia que o procedimento poderia ter seguido outro caminho institucional. Na visão desses integrantes, a Procuradoria-Geral da República (PGR) deveria ter aguardado o retorno do presidente da Corte, ministro Edson Fachin, que estava de férias, antes de qualquer decisão.
Como substituto eventual na presidência durante o recesso, Moraes acabou autorizando diretamente a operação, o que gerou críticas internas quanto ao rito adotado.
Há quem sustente que a medida não deveria ter sido iniciada automaticamente, sem um debate prévio mais amplo dentro do Supremo.
Ministros ouvidos reservadamente demonstram preocupação de que uma postura considerada agressiva na condução do inquérito possa ampliar o desgaste da imagem do STF perante a opinião pública.
O tribunal já enfrenta reflexos negativos decorrentes de crises recentes, como os desdobramentos ligados ao chamado caso Master, que colocaram a Corte no centro de debates sobre atuação institucional.
Embora haja consenso de que eventuais crimes devem ser investigados e punidos, parte dos magistrados teme que a operação possa alimentar a percepção de que ministros estariam criando mecanismos de autoproteção.
As críticas também alcançam o fato de a apuração estar vinculada ao inquérito das fake news, instaurado em 2019 e que não possui prazo definido para encerramento. O procedimento é alvo frequente de questionamentos dentro e fora do Supremo.
A operação realizada na última terça-feira (17), teve como foco servidores da Receita Federal suspeitos de acessar e repassar informações fiscais de ministros da Corte e de seus familiares, entre eles a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
A PGR solicitou medidas cautelares no caso, enquanto a Polícia Federal busca esclarecer se houve motivação política ou financeira nas consultas consideradas irregulares.