Política
Publicado em 15/09/2026, às 22h05 Adriano Abreu Jussier Lucas
A avaliação da gestão Fátima Bezerra foi um dos principais pontos de tensão na rodada de perguntas entre os candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte no debate promovido pelo Sistema Tribuna de Comunicação, nesta terça-feira (15). Álvaro Dias (PL) direcionou críticas ao governo estadual e questionou Cadu de Lula (PT), que integrou a atual gestão, sobre o que pretende fazer de diferente caso seja eleito.
Cadu rebateu as críticas e defendeu resultados que, segundo ele, foram alcançados durante a administração petista. Na resposta, o candidato citou a ampliação da oferta de cirurgias e de leitos de UTI e reconheceu que ainda existem problemas a serem enfrentados na saúde pública.
O confronto também avançou para a segurança pública. Álvaro afirmou que o Governo Fátima não apresentou respostas para problemas do Estado e disse que pretende implementar o programa “RN sem crime” para combater o crime organizado. Cadu, por outro lado, sustentou que a área apresentou avanços em comparação com o período anterior.
Ao questionar Cadu, Álvaro Dias criticou a condução da saúde estadual e defendeu o fortalecimento dos hospitais regionais como forma de descentralizar o atendimento. O candidato do PL também questionou como o petista pretende apresentar uma administração diferente, considerando sua participação no governo Fátima.
Na resposta, Cadu citou números atribuídos por ele à gestão estadual para rebater a crítica.
“Nós fizemos o triplo de cirurgias no Governo Fátima em relação ao Governo Robinson de Allyson. Nós dobramos o número de leitos de UTI”, afirmou.
O petista também apresentou propostas para a próxima gestão, entre elas a implantação de consultas por telemedicina com especialistas, a criação de centrais regionais de diagnóstico e a ampliação da capacidade dos hospitais regionais. Entre as metas anunciadas está zerar a fila de cirurgias eletivas.
A defesa da descentralização da saúde, portanto, apareceu nas falas dos dois candidatos, embora com abordagens diferentes. Álvaro colocou o fortalecimento da estrutura regional como crítica à atual administração, enquanto Cadu apresentou a ampliação desses serviços como parte das medidas que pretende adotar em um eventual governo.
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O segundo eixo do confronto foi a segurança pública. Álvaro Dias afirmou que a população vive sem tranquilidade e associou a crítica à necessidade de uma nova estratégia de combate ao crime organizado. Como proposta, apresentou o programa “RN sem crime”.
Cadu rebateu a avaliação e afirmou que a segurança pública avançou durante a gestão Fátima Bezerra. Para sustentar o argumento, fez referência à crise do sistema penitenciário registrada em 2017, durante o governo Robinson Faria, quando ocorreu a rebelião na Penitenciária Estadual de Alcaçuz. O episódio deixou 26 mortos, segundo registros oficiais citados pelo Tribunal de Contas do Estado.
A troca marcou uma mudança na dinâmica do debate. Depois de três blocos com perguntas formuladas pelas entidades que participaram da organização do encontro, a rodada entre os próprios candidatos permitiu que as administrações passadas e atuais fossem colocadas diretamente em discussão. O formato do debate havia sido concebido para privilegiar propostas e deixar o confronto entre os concorrentes para uma etapa específica.
O embate entre Álvaro e Cadu terminou, assim, colocando em lados opostos duas leituras sobre o governo Fátima: enquanto o candidato do PL apontou problemas e defendeu mudanças na condução do Estado, o petista buscou sustentar a continuidade de políticas e resultados da atual administração, ao mesmo tempo em que apresentou novas medidas para saúde e segurança.