Política
Publicado em 14/07/2026, às 06h05 Geraldo Magela/Agência Senado Lavínia Manso
O senador Sergio Moro, do Partido Liberal (PL), criticou nesta segunda-feira (13) a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu o senador Flávio Bolsonaro, também do PL, de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro pelos próximos 90 dias.
A manifestação ocorreu por meio das redes sociais, onde o parlamentar classificou a medida como desproporcional e questionou sua legalidade.
Na publicação, Moro afirmou que a restrição imposta ao ex-presidente difere do tratamento dado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), durante o período em que esteve preso em Curitiba, em 2018.
Segundo ele, Lula recebeu centenas de visitas e manteve contato frequente com aliados políticos sem que houvesse limitações ao direito de visita ou de correspondência.
O senador relembrou sua atuação como juiz da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba durante a Operação Lava Jato e disse que, na época, jamais cogitou restringir o acesso de visitantes ao atual presidente, mesmo diante da intensa movimentação política em torno do caso.
Ao justificar sua posição, Sergio Moro afirmou que Luiz Inácio Lula da Silva recebeu 572 visitas durante o cumprimento da pena em 2018. Entre elas, segundo o senador, estavam 21 encontros com Fernando Haddad, então candidato do PT à Presidência da República.
Moro declarou que, após essas visitas, os aliados de Lula concediam entrevistas à imprensa relatando conversas mantidas com o petista dentro da prisão. Para o senador, esse cenário demonstra que o direito de visita e de correspondência foi preservado durante todo o período.
Em sua crítica, o parlamentar afirmou que Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar, está impedido de receber o próprio filho, Flávio Bolsonaro, e ainda pode ter o direito de correspondência restringido. Na avaliação de Moro, a decisão do ministro Alexandre de Moraes não observa os princípios da proporcionalidade e da legalidade.
A suspensão das visitas de Flávio Bolsonaro foi determinada por Alexandre de Moraes após a divulgação, no último sábado (11), de uma carta atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro e publicada nas redes sociais.
O ministro do STF estabeleceu prazo de 48 horas para que a defesa de Bolsonaro se manifeste sobre o documento. Segundo Moraes, a divulgação pode representar descumprimento das medidas cautelares anteriormente impostas ao ex-presidente, entre elas a restrição ao uso das redes sociais.
Na decisão, Alexandre de Moraes também apontou a suspeita de que Flávio Bolsonaro, que integra a equipe de defesa do pai, tenha utilizado o direito de visita para obter a carta e promover sua divulgação pública. Além disso, o caso foi encaminhado ao procurador-geral eleitoral para análise de eventual prática de propaganda eleitoral antecipada.