Política
Publicado em 23/09/2026, às 12h06 Reprodução: Internet Redação
A percepção de que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm envolvimento direto no caso Banco Master aumentou entre os brasileiros nos últimos meses, segundo pesquisa Atlas/Estadão divulgada nesta terça-feira (22).
O levantamento mostra que 85,1% dos entrevistados responderam acreditar que existe esse envolvimento.
O percentual representa uma mudança significativa em relação à pesquisa realizada em março, quando 66,1% deram a mesma resposta. Agora, 4,4% afirmaram não acreditar em envolvimento direto de ministros da Corte, enquanto 10,5% disseram não saber responder.
Os números refletem a percepção dos entrevistados e não constituem, por si só, comprovação de envolvimento dos ministros nas irregularidades investigadas.
Pesquisa ouviu 1.852 brasileiros
O levantamento foi realizado entre os dias 17 e 21 de setembro, com 1.852 brasileiros recrutados aleatoriamente pela internet. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança informado é de 95%.
A pesquisa também identificou diferenças nas respostas de acordo com características demográficas e comportamentais dos entrevistados.
Entre os grupos que apresentaram maior percentual de pessoas que disseram acreditar no envolvimento direto de ministros estão jovens de 16 a 24 anos, moradores da Região Norte, eleitores que não votaram no segundo turno da eleição presidencial de 2022 e evangélicos.
Já entre os que responderam não acreditar no envolvimento aparecem percentuais mais elevados entre pessoas que se identificam como agnósticas ou ateias, entrevistados com renda familiar entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, brasileiros com 60 anos ou mais e eleitores que declararam ter votado em Luiz Inácio Lula da Silva em 2022.
Caso envolve investigação da Polícia Federal
A percepção registrada pela pesquisa ocorre em meio à divulgação de documentos da Operação Compliance Zero, investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras relacionadas ao antigo Banco Master e a operações envolvendo o Banco de Brasília (BRB).
Parte da investigação passou a tramitar no STF depois que documentos extraídos do celular de Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, foram encaminhados aos ministros da Corte.
Em setembro, a PF confirmou oficialmente a entrega de cópias do conteúdo extraído do aparelho aos gabinetes de Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. Segundo a corporação, as cópias são idênticas à extração original, que permanece sob custódia da instituição.
Mensagens envolvendo Alexandre de Moraes
Um dos pontos centrais da investigação é um relatório da PF que reúne mensagens que os investigadores atribuem a Daniel Vorcaro e que teriam sido enviadas ao ministro Alexandre de Moraes.
O documento, cujo sigilo foi parcialmente levantado por decisão do ministro André Mendonça, reúne 52 mensagens atribuídas ao ex-banqueiro. Segundo a Agência Brasil, os diálogos incluem referências a um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Também aparecem, segundo os investigadores, mensagens nas quais Vorcaro buscaria informações sobre uma possível operação policial e sobre sua situação pessoal antes de ser preso.
Moraes, porém, afirmou que nunca manteve diálogo com Vorcaro e questionou a possibilidade de confirmar a autoria e o envio das mensagens, uma vez que as respostas do interlocutor não foram recuperadas.
STF discute eventual investigação
As informações levaram o próprio Supremo a discutir a possibilidade de abertura de investigação sobre a relação entre Moraes e Vorcaro.
Em sessão realizada em 15 de setembro, o plenário analisou questões relacionadas ao caso. O mérito da Petição 16.662, que trata do relatório da PF sobre as mensagens, não chegou a ser examinado porque houve pedido de vista do ministro Flávio Dino.
A discussão também envolveu a atuação do ministro André Mendonça como relator do caso. O presidente do STF, Edson Fachin, posteriormente retirou da pauta o julgamento que analisaria um pedido de investigação sobre a condução dada por Mendonça ao processo.
Outros ministros aparecem no material
O conteúdo apreendido no celular de Vorcaro também motivou pedidos de acesso por outros integrantes do STF. A Polícia Federal entregou cópias do material aos gabinetes de Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes após solicitações encaminhadas à corporação.
Durante o julgamento de 15 de setembro, o ministro Kassio Nunes Marques declarou-se impedido e Dias Toffoli declarou-se suspeito para participar da análise relacionada à eventual investigação de Moraes.
O caso também envolve referências a relações profissionais e encontros entre Vorcaro e pessoas próximas a integrantes da Corte. Essas informações estão sendo analisadas no contexto da investigação e, isoladamente, não estabelecem que os ministros tenham participado de irregularidades.
Pesquisa mostra mudança na percepção pública
A comparação entre os levantamentos de março e setembro mostra uma alteração expressiva na opinião dos entrevistados. A parcela que respondeu acreditar em envolvimento direto de ministros passou de 66,1% para 85,1%.
Em sentido contrário, a proporção dos que disseram não acreditar caiu de 14,9% para 4,4%. O grupo que declarou não saber responder também diminuiu, passando de 18,9% para 10,5%.
Os resultados foram divulgados em um momento de intensa repercussão pública das investigações e das informações extraídas do celular de Vorcaro. A pesquisa, contudo, mede percepção da população, e não substitui a apuração policial ou a análise judicial das evidências.