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Política

Lula e Trump na Casa Branca; o que cada presidente quer ganhar com o encontro?

Lula enfrenta dificuldades políticas no Brasil, enquanto Trump lida com queda de popularidade e desafios econômicos nos EUA  |  Reprodução/Imagem Ilustrativa gerada por IA

Publicado em 07/05/2026, às 13h54   Reprodução/Imagem Ilustrativa gerada por IA   Giovana Gurgel

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reuniram nesta quinta-feira (7), na Casa Branca, em Washington, em meio a crises políticas internas, tensões diplomáticas e interesses econômicos bilionários.

O encontro ocorre após meses de negociações e tem como foco tarifas comerciais, minerais estratégicos, combate ao crime organizado e a relação entre Brasil e Estados Unidos às vésperas das eleições brasileiras de 2026.

A reunião, inicialmente prevista para março, acontece em um cenário de desgaste entre os dois governos. Apesar da chamada “química excelente” citada anteriormente por Trump ao se referir a Lula, episódios recentes ampliaram o distanciamento diplomático entre Brasília e Washington.

No Brasil, Lula enfrenta dificuldades políticas após derrotas no Congresso Nacional, incluindo a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a derrubada do veto presidencial relacionado às penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Além disso, pesquisas recentes apontam empate técnico entre o petista e candidatos da direita para a disputa presidencial.

Trump e Lula 

Do lado norte-americano, Donald Trump enfrenta queda de popularidade diante do prolongamento da guerra contra o Irã e dos impactos econômicos da crise internacional. O aumento da inflação e a alta dos combustíveis pressionam o governo republicano internamente.

Levantamento divulgado pela agência Reuters e pelo Instituto Ipsos mostrou que a aprovação de Trump atingiu um dos níveis mais baixos de seu mandato. Entre os fatores apontados estão o custo de vida e a condução do conflito no Oriente Médio.

Mesmo diante desse cenário delicado, os dois líderes enxergam na reunião uma oportunidade de construir agendas positivas e fortalecer posições estratégicas. Especialistas em relações internacionais ouvidos pela imprensa apontam que, embora existam divergências, ambos têm interesses concretos em jogo.

Governo brasileiro 

Entre as prioridades do governo brasileiro está a tentativa de eliminar tarifas ainda aplicadas sobre produtos nacionais exportados aos Estados Unidos, especialmente sobre a carne bovina brasileira.

Outro foco de Lula é convencer o governo norte-americano a encerrar investigações comerciais abertas contra o Brasil, incluindo apurações envolvendo o sistema de pagamentos instantâneos Pix. A investigação foi aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, com base na seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.

O governo dos Estados Unidos argumenta que o Pix poderia ameaçar empresas norte-americanas do setor de pagamentos, enquanto técnicos brasileiros afirmam que o sistema não gera prejuízo às companhias estrangeiras.

Minerais estratégicos 

Além das questões comerciais, os minerais críticos brasileiros também se tornaram tema central da reunião entre Lula e Trump. O Brasil possui uma das maiores reservas mundiais de terras raras, fundamentais para produção de equipamentos tecnológicos, armamentos e projetos de transição energética.

Especialistas avaliam que os Estados Unidos desejam garantir acesso privilegiado a esses minerais, enquanto o Brasil tenta assegurar investimentos com transferência de tecnologia e beneficiamento industrial em território nacional.

Outro ponto sensível envolve o combate ao crime organizado. Interlocutores do governo brasileiro afirmam que setores da administração Trump defendem classificar facções brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas.

Brasil teme pressão dos EUA 

Nos bastidores, integrantes do governo Lula avaliam que o encontro também serve para manter um canal direto com Trump e reduzir a influência de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro nos Estados Unidos.

A ala bolsonarista sediada no país é liderada pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) e pelo empresário Paulo Figueiredo (PL). O grupo é apontado por integrantes do governo brasileiro como responsável por influenciar medidas adotadas anteriormente pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros.

A tensão diplomática aumentou nos últimos meses após episódios envolvendo o cancelamento do visto do conselheiro norte-americano Darren Beattie e a revogação de acessos de agentes dos Estados Unidos junto à Polícia Federal brasileira.

Especialistas apontam ganhos 

Analistas afirmam que Lula pode usar o encontro para demonstrar capacidade de diálogo internacional em meio ao desgaste interno e às dificuldades econômicas do país.

Já Donald Trump busca reforçar sua imagem de liderança global ao receber um dos principais chefes de Estado da América Latina em meio às críticas internacionais sobre sua política externa.

Especialistas também avaliam que a aproximação entre os dois líderes pode favorecer interesses estratégicos dos Estados Unidos no hemisfério ocidental, especialmente diante da disputa geopolítica com a China, considerada pelos norte-americanos como sua principal ameaça global.

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