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Política

Gigantes do varejo na mira: confira quais empresas são citadas em esquema bilionário no ICMS

Ministério Público de São Paulo investiga esquema de corrupção envolvendo grandes empresas e movimentação de R$ 1 bilhão em propinas  |  Reprodução: Internet

Publicado em 26/03/2026, às 17h04   Reprodução: Internet   Jussier Lucas

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O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) incluiu empresas como Carrefour, Casas Bahia, Kalunga, CAOA e Center Castilho em uma nova fase de investigação que apura um suposto esquema bilionário de corrupção envolvendo créditos de ICMS no estado de São Paulo.

A apuração aponta que o grupo teria movimentado mais de R$ 1 bilhão em propinas por meio de uma estrutura paralela dentro da Secretaria da Fazenda e Planejamento (Sefaz-SP). O auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto é apontado como peça central do esquema, atuando na liberação irregular de créditos tributários.

Segundo os promotores, mensagens interceptadas indicam que o auditor prestava suporte direto a executivos, funcionando como uma espécie de “consultoria tributária paralela” para facilitar processos e acelerar liberações de valores.

Esquema envolvia fraude, propina e uso de criptomoedas

De acordo com o MP-SP, as conversas analisadas sugerem orientação sobre documentação, manipulação de processos e até concessão de créditos em desacordo com a legislação. Para os investigadores, há indícios de tratamento privilegiado a empresas e possível participação em um esquema estruturado de corrupção e lavagem de dinheiro.

A operação, batizada de “Fisco Paralelo”, é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (Gedec) e representa um desdobramento da Operação Ícaro, iniciada em 2025. Ao todo, foram cumpridos 22 mandados de busca e apreensão em cidades como São Paulo, Campinas, Vinhedo e São José dos Campos.

Durante as diligências, agentes apreenderam dinheiro em espécie, moedas estrangeiras e equipamentos eletrônicos, que serão analisados para aprofundar as investigações.

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores é o uso de aplicativos com criptografia avançada, como Wickr e Session, além da utilização de criptomoedas para ocultar valores provenientes de propinas, dificultando o rastreamento por parte das autoridades.

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Empresas se manifestam e investigação avança

Entre as empresas citadas, apenas o Grupo Casas Bahia informou que não foi oficialmente notificado e negou qualquer irregularidade, afirmando estar à disposição para colaborar com as autoridades.

A Sefaz-SP, por sua vez, declarou que atua em conjunto com o Ministério Público e que mantém dezenas de procedimentos administrativos em andamento para apurar possíveis irregularidades envolvendo servidores, com possibilidade de sanções e até demissões.

As investigações também apontam que o esquema pode ter se espalhado por diferentes unidades da fiscalização tributária, com atuação coordenada para favorecer empresas por meio da liberação irregular de créditos, redução de multas e manipulação de processos.

O Ministério Público busca agora ampliar a coleta de provas e mapear a extensão da rede, considerada mais ampla e estruturada do que inicialmente identificado.

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