Política
Publicado em 28/10/2026, às 11h32 GABRIEL SILVA/RASPRESS/ESTADÃO José Nilton Jr.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), que perdeu para o presidente Lula (PT) no segundo turno das Eleições 2026, deixou o Brasil na noite da última terça-feira (27), acompanhado da esposa, Fernanda, e das filhas, Carolina e Luiza. Ao longo do dia, circularam informações falsas sobre o paradeiro da família, incluindo relatos de que o parlamentar já estaria nos Estados Unidos, o que não correspondia ao registro oficial da entrada na Argentina.
Segundo a Direção Nacional de Migrações argentina, Flávio atravessou a fronteira às 22h50, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu, no Paraná, e Puerto Iguazú. Às 23h30, a família embarcou em uma aeronave privada com destino declarado a Guayaquil, no Equador.
Durante a terça-feira, aliados do senador e fontes ligadas ao governo de Donald Trump repassaram informações à imprensa de que Flávio já havia deixado o Brasil e estaria a caminho dos Estados Unidos.
Por volta das 14h, pessoas próximas ao parlamentar disseram que ele e a família haviam saído do país. Mais tarde, fontes ouvidas pela CNN Brasil e uma autoridade americana consultada pela Reuters afirmaram que o senador seguia para território americano.
Às 17h39, fontes ligadas ao governo dos Estados Unidos chegaram a afirmar que Flávio já havia desembarcado no país. Um assessor de Trump também teria informado que o presidente americano autorizara a entrada do senador e que as autoridades dos EUA tinham conhecimento da situação envolvendo seus passaportes.
Pouco antes das 22h, aliados disseram que Flávio já havia encontrado o irmão, Eduardo Bolsonaro, na Flórida, e que os dois planejavam conceder uma entrevista na quarta-feira (28). O registro migratório argentino, porém, indicou que o senador ainda estava cruzando a fronteira naquele horário.
As informações desencontradas circularam enquanto a Polícia Federal procurava o senador. No domingo (25), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado que Flávio entregasse os passaportes e o proibido de deixar o país.
O prazo para apresentar os documentos terminou às 11h de terça-feira, mas eles não foram entregues. Diante disso, a Polícia Federal cancelou os passaportes comum e diplomático do parlamentar.
Durante parte do dia, autoridades argentinas também negaram que Flávio tivesse entrado no país. A informação foi posteriormente atualizada pela Direção Nacional de Migrações, que registrou a passagem do senador pela fronteira na noite de terça-feira.
Flávio Bolsonaro também é citado em dois inquéritos da Polícia Federal. Um deles investiga o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro que, segundo suspeitas sob apuração, poderia ter recebido recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O outro procedimento apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. Flávio nega irregularidades e afirma manter apenas uma relação de amizade com Tomaz. O advogado também nega as alegações. As suspeitas investigadas não representam, por si só, comprovação de culpa.