Política
Publicado em 14/11/2025, às 13h13 Valter Campanato/Agência Brasil Giovana Gurgel
O ex-secretário de Inovação do Ministério da Agricultura e Pecuária Pedro Alves Corrêa Netto recebeu mais de R$ 1 milhão em propina entre 2022 e 2024, segundo a Polícia Federal.
O valor, de acordo com a corporação, tem ligação direta com o esquema de corrupção instalado no INSS e abastecido por entidades que atuavam como ponte para desvio de recursos públicos.
A constatação aparece na decisão do ministro André Mendonça, do STF, que autorizou uma nova etapa da Operação Sem Desconto. No despacho, o magistrado determinou que o ex-secretário utilizasse tornozeleira eletrônica enquanto seguem as investigações.
As propinas chegaram às contas de Pedro Alves por meio de transferências realizadas por Cícero Marcelino, apontado como operador financeiro da Conafer, a Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais.
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Segundo a PF, a Conafer recebeu R$ 708,2 milhões do INSS, embora parte significativa desses repasses, cerca de R$ 640 milhões, tenha sido desviada para empresas de fachada e contas ligadas ao grupo investigado. O esquema, afirmam os investigadores, se ramificava por programas do Ministério da Agricultura e outros órgãos do governo federal.
A corporação aponta que Pedro Alves atuou para facilitar os interesses criminosos da entidade dentro da máquina pública, ampliando a influência do grupo em contratos e parcerias estratégicas. A PF cita ainda que o ex-secretário favoreceu o Instituto Terra e Trabalho, ligado à Conafer.
A investigação indica que ele também intercedia junto à Frente Parlamentar Mista em Defesa do Empreendedorismo Rural, apoiando iniciativas alinhadas aos objetivos do grupo investigado. Documentos registram que diversos repasses eram feitos por empresas controladas por Cícero Marcelino.
A PF detalha que os valores partiram de empresas como Santos Consultoria e Assessoria Ltda., To Hire Cars Locadora de Veículos Ltda., Agropecuária PKST Ltda. e Solution Serviços Especializados em Apoio Administrativo Ltda. Todas, segundo os investigadores, integravam o circuito de lavagem de dinheiro usado pelo esquema.
O Ministério da Agricultura informou que tomou conhecimento do caso pela imprensa e que Pedro Alves colocou o cargo à disposição assim que as suspeitas vieram à tona. A exoneração foi publicada no Diário Oficial da União logo depois.
A pasta declarou ainda que não tem informações sobre outros desdobramentos da investigação e reforçou que está à disposição para colaborar com as apurações dentro dos limites legais.
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