Política
Publicado em 14/05/2026, às 17h40 Reprodução: Internet Jussier Lucas
A empresa Entre Investimentos, apontada como intermediadora de repasses para a produção do filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), recebeu R$ 159,2 milhões de fundos investigados pela Polícia Federal em apurações relacionadas ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro.
As informações constam em relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e foram divulgadas pelo g1 nesta quarta-feira (14).
Segundo a reportagem, os documentos apontam movimentações financeiras envolvendo empresas ligadas ao banqueiro, preso preventivamente em Brasília sob suspeita de comandar um esquema bilionário de fraudes financeiras.
O caso ganhou repercussão após o portal Intercept Brasil divulgar mensagens e áudios atribuídos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nos quais ele cobra pagamentos relacionados à produção cinematográfica sobre o pai. O filme teria previsão de estreia ainda neste ano.
Leia também:
De acordo com os relatórios analisados pelo Coaf, a maior parte dos recursos recebidos pela Entre Investimentos teria vindo da Sefer Investimentos, empresa alvo da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. Somente dessa origem, os repasses somariam R$ 139,2 milhões.
Outro valor citado na investigação é um aporte de R$ 20 milhões do fundo Gold Style, administrado pela Reag e também ligado ao empresário Daniel Vorcaro. A PF investiga possíveis conexões entre empresas do grupo e operações suspeitas de lavagem de dinheiro.
A reportagem afirma que ainda não há confirmação sobre quanto do montante recebido pela Entre Investimentos foi efetivamente destinado à produção do longa “Dark Horse”. O acordo total para financiamento do projeto previa cerca de R$ 124 milhões, dos quais aproximadamente R$ 61 milhões teriam sido pagos.
Segundo o Intercept Brasil, parte das transferências para o filme ocorreu por meio da Entre Investimentos e Participações. O publicitário Thiago Miranda, apontado como intermediador do contato entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, confirmou ao jornal O Globo que houve negociação para financiar a produção cinematográfica.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é investigado pela Polícia Federal por suposta participação em um esquema de fraudes financeiras que pode ultrapassar R$ 12 bilhões, segundo as apurações.
A Entrepay, empresa ligada ao Grupo Entre, também passou a enfrentar problemas financeiros nos últimos meses. Em março deste ano, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição após identificar comprometimento financeiro e irregularidades operacionais.
Em nota divulgada à imprensa, o Grupo Entre afirmou que vinha conduzindo um processo de encerramento gradual das operações e que está colaborando com as autoridades responsáveis pelas investigações.