Política
Publicado em 18/03/2026, às 16h51 Reprodução Jussier Lucas
A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL-SP) protagonizou uma cena polêmica durante sessão na Assembleia Legislativa de São Paulo, nesta quarta-feira (18). A parlamentar pintou o corpo de marrom no plenário como forma de protesto contra a escolha da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados.
Durante o discurso, Fabiana afirmou que a ação fazia parte de um “experimento social” e tentou estabelecer uma comparação com questões de identidade. “Eu tive os privilégios de uma pessoa branca durante toda a minha vida. Agora, aos 32 anos, decido me maquiar, me travestir como uma pessoa negra. E agora, virei negra?”, declarou.
Na sequência, a deputada reforçou a analogia ao questionar sua legitimidade para ocupar determinados espaços. “Estou pintada de negra por fora. Eu me reconheço como negra. Por que não posso presidir a comissão de antirracismo?”, disse.
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Acusações e interrupção da sessão
A fala foi interrompida pela deputada Mônica Seixas (PSOL-SP), que levantou questão de ordem e acusou Fabiana Bolsonaro de transfobia, racismo e prática de blackface — caracterizada quando uma pessoa branca se pinta para simular uma pessoa negra.
A parlamentar também solicitou a suspensão da sessão e da transmissão, além de medidas contra o que classificou como discurso de ódio.
Fabiana rebateu as acusações e afirmou que sua manifestação tinha caráter de reflexão. A discussão elevou o tom no plenário e levou à intervenção do presidente da sessão, Fábio Faria de Sá (Podemos).
Apesar do embate, o presidente não cassou a palavra da deputada e permitiu que ela concluísse o tempo regimental de fala. Ele informou ainda que o caso será encaminhado à presidência da Casa para avaliação.
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