Política
Publicado em 10/12/2025, às 08h35 Advogados alegam que a condição de saúde de Bolsonaro inviabiliza sua permanência no ambiente prisional e requer monitoramento especializado. - Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil Dani Oliveira
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protocolou, nesta terça-feira (9), um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que ele seja autorizado a realizar procedimentos cirúrgicos e passe a cumprir prisão domiciliar humanitária.
O requerimento inclui um relatório médico que, segundo os advogados, aponta deterioração significativa no estado de saúde do ex-presidente.
Crises de soluço e agravamento da hérnia
De acordo com o documento enviado ao STF, Bolsonaro enfrenta episódios de “soluço incoercível prolongado”, sem resposta a tratamentos convencionais e com impacto direto no sono, na alimentação e até na capacidade respiratória.
Os médicos afirmam que o caso é grave e refratário, indicando a necessidade de um bloqueio anestésico do nervo frênico — procedimento raro, utilizado apenas em situações de maior complexidade.
Além disso, o relatório aponta o agravamento de uma hérnia inguinal, associada a dores intensas e potencialmente influenciada pelo aumento da pressão abdominal provocado pelas crises de soluço. A equipe médica defende a necessidade de intervenção cirúrgica.
Argumentos da defesa ao STF
Os advogados Celso Villardi, Paulo Bueno e Daniel Tesser sustentam que o conjunto dos problemas clínicos comprova “a precariedade e delicadeza” do estado de saúde de Bolsonaro, tornando inviável sua permanência no ambiente prisional.
Por isso, pedem autorização para deslocamento imediato a um hospital, onde seriam realizados o bloqueio anestésico e a cirurgia corretiva.
A petição também solicita que o ex-presidente cumpra prisão domiciliar humanitária, sob argumento de que sua condição atual exige cuidados contínuos e monitoramento especializado.
Episódio da tornozeleira eletrônica
A defesa afirma que a recente violação da tornozeleira eletrônica não representou tentativa de fuga. Segundo os advogados, Bolsonaro teria tido “confusão mental” causada pela interação de novos medicamentos e chegou a acreditar que o equipamento continha “escutas”, o que teria motivado o ato.
Ainda de acordo com os defensores, o ex-presidente teria comunicado espontaneamente a necessidade de troca do dispositivo e colaborado com a equipe responsável.
Para a defesa, o episódio reforça a fragilidade clínica e psicológica do ex-presidente, justificando a adoção de um regime mais brando para evitar riscos adicionais à saúde.