Política
Publicado em 14/03/2026, às 19h19 Imagem: Reprodução Redação
O assessor sênior do Departamento de Estado do governo de Donald Trump, Darren Beattie, teve o visto de entrada no Brasil revogado após solicitar uma audiência com o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo informações divulgadas, o encontro teria como objetivo discutir as eleições brasileiras de 2026. Nunes Marques é um dos nomes que integram o Tribunal Superior Eleitoral e deve assumir a presidência do TSE em junho deste ano, o que teria motivado o interesse do assessor norte-americano.
Antes mesmo de qualquer confirmação oficial da audiência, no entanto, o governo brasileiro decidiu revogar o visto de Beattie, impedindo sua entrada no país.
Além da tentativa de reunião com o ministro do STF, o assessor também planejava visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente cumpre pena na unidade conhecida como Papudinha, no Distrito Federal.
A visita chegou a ser autorizada inicialmente pelo ministro Alexandre de Moraes, mas a decisão foi posteriormente revista. O recuo ocorreu após o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) informar que Beattie não possuía agenda diplomática oficial no Brasil.
Na avaliação do governo brasileiro, a presença de um integrante do governo norte-americano para tratar de eleições ou visitar um ex-presidente preso em pleno período pré-eleitoral poderia ser interpretada como uma tentativa de interferência em assuntos internos do país.
Ao justificar a revogação do visto, o Itamaraty também mencionou o princípio da reciprocidade diplomática, utilizado nas relações internacionais quando decisões envolvendo autoridades estrangeiras podem impactar o equilíbrio entre os países.
O episódio acabou acrescentando mais um capítulo às tensões políticas e institucionais que cercam o cenário eleitoral brasileiro nos próximos anos.