Polícia
Publicado em 20/04/2026, às 12h44 - Atualizado às 17h59 Elí Bernardo, Bnews Natal Elí Bernardo
A menina de sete anos que estava desaparecida, Pétala Yonah Silva Nunes, de 7 anos, foi encontrada morta e enterrada na casa do ex-padrastro na manhã desta segunda-feira (20) pela Polícia Civil, no bairro Planalto, na Zona Oeste de Natal. O caso gerou forte repercussão, e, nas redes sociais do suspeito, internautas passaram a deixar mensagens de revolta e pedidos de justiça.
A informação foi confirmada pela família da vítima e pela própria Polícia Civil. A menina era procurada desde o domingo (19).
Diante dos fatos, a polícia prendeu o homem de 24 anos, que não teve a identidade divulgada. Ele é o principal suspeito de matar Pétala, na comunidade do Leningrado.
O corpo da menina passará por exames periciais realizados pela Polícia Científica do Rio Grande do Norte, que foi acionada para os procedimentos no local.
Segunda a civil, as investigações apontam que o crime pode estar relacionado à chamada violência vicária — prática em que o agressor atinge pessoas próximas da mulher com o objetivo de causar sofrimento psicológico a ela. Nesse contexto, o caso é tratado como vicaricídio.
A lei prevê pena de reclusão de 20 a 40 anos para o crime, podendo ser aumentada de 1/3 até a metade, a depender das circunstâncias.
O BNews Natal conversou com exclusividade com a tia de uma criança, no bairro Planalto, zona oeste de Natal, onde Pétala foi encontrada enterrada. Ela havia desaparecido depois de ir para a casa do ex-padrasto durante a tarde de domingo.
A dona de casa, Eliane Gomes, tia de Pétala, disse que ela havia saído por volta das 14h, sem avisar, com o primo, filho da tia. A menina estava sob responsabilidade da tia, já que não mora com a mãe.
"Eu não sabia que ele estava separada da minha irmã. Eu não acredito no que está acontecendo. Ele estuprou e matou ela e confessou que enterrou ela no quintal de casa", disse a tia, aos prantos.
Desaparecimento
Aqui onde eu moro é um condomínio, ele é fechado. Ela não sai. Eu sou a responsável por ela, depois da mãe dela. Ela estava comigo e os irmãos dela. Ela saiu e não me avisou. Depois o irmão dela me falou que o padrasto dela tinha mandado chamar ela para dar um dindin", afirmou a tia ao BNews Natal.
A reportagem do portal esteve no local, durante a manhã, onde a menina morava com a tia, um condomínio de kitnet, onde outras famílias também vivem, na rua José Vicente, próximo ao conjunto Leningrado.
Saiu meu sobrinho de 9 anos, minha sobrinha de 7, e meu filho, que é autista do nível 1. Saíram eles três para lá. Quando eu mandei procurar eles para ir para o culto (a noite), não tinha mais ninguém lá. Quando foi às 8 horas da noite, que terminou o culto, que eu cheguei em casa, eu liguei para ele e ele falou que ela não estava lá", contou Eliane.
A partir daí bateu o desespero e iniciou-se as buscas pela pequena Pétala.
O padrastro falou que ela veio, ficou aqui no portão batendo. Mas ninguém viu ela no portão batendo. Ele disse que estava lá na frente, chupando o dindim. Só que ele chegou a dizer que ela nem chegou a querer o dindim e ela veio embora. Hoje a mãe dela foi lá na DHPP, está lá até então, desde manhã cedo que ela saiu", informou Eliane.
Pela manhã tia e a mãe foram ouvidas pela Polícia, que também colheu informação e depoimentos na casa do padrasto.
A gente está muito aflita. A família toda está muito aflita, muito aflita. E assim, eu não sou mãe dela. Mas eu tenho filhos e com a mesma idade que ela. E você não tem noção quanto a pessoa que estava responsável por ela", disse Eliane e lamentou o ocorrido.
Casos de desaparecimentos no RN
Em 2025, a Secretaria da Segurança Pública e da Defesa Social do Rio Grande do Norte fechou o ano com o registro de 845 desaparecimentos em seu banco de dados. Destes, houve a localização de 521 pessoas, restando 324 pessoas a serem encontradas.
O caso será investigado pela Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil.