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Polícia

Servidora do Judiciário potiguar pode ter ligação com chefe de facção criminosa; confira apuração do Ministério Público do RN

Operação Entre Dois Mundos investiga esquema de corrupção no Judiciário potiguar envolvendo servidora e chefe de facção criminosa  |  Foto: Divulgação/MPRN

Publicado em 12/12/2025, às 08h10   Foto: Divulgação/MPRN   Dani Oliveira

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O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) deflagrou, nesta quinta-feira (11), a Operação Entre Dois Mundos, com o objetivo de apurar a infiltração de uma organização criminosa no Poder Judiciário potiguar.

A investigação aponta a atuação de uma servidora terceirizada, lotada em um setor estratégico para o cumprimento de penas, suspeita de utilizar o cargo e o acesso a informações sigilosas para beneficiar integrantes da facção Sindicato do Crime, que atua no estado.

Segundo o MPRN, a servidora exercia funções semelhantes às de uma assessora jurídica, com acesso direto a processos judiciais, realização de movimentações processuais e elaboração de minutas.

Esquema envolvia servidora, apenado e advogado

As apurações indicam que o esquema envolvia três núcleos principais:

→ A servidora terceirizada,

→ Um apenado identificado como liderança da facção criminosa — companheiro da investigada,

→ E um advogado.

O grupo é suspeito da prática de corrupção passiva e ativa, advocacia administrativa, violação de sigilo profissional, além de pertencimento e auxílio à organização criminosa.

De acordo com a investigação, a servidora utilizava suas credenciais institucionais para manipular o andamento de processos, direcionar decisões judiciais e repassar informações confidenciais à facção.

Manipulação no sistema de execução penal

O ponto central da investigação está na atuação indevida no Sistema Eletrônico de Execução Unificado (SEEU). Conforme apurado, a servidora teria interferido no sistema para direcionar o processo de execução penal do companheiro para um juiz substituto, aproveitando-se do período de férias do magistrado titular.

O Ministério Público destacou que essa manobra foi considerada estratégica, já que o juiz titular possuía histórico de indeferimento de benefícios ao apenado. Com a mudança, houve:

Consequências da manipulação no SEEU:
- Concessão imediata de progressão de regime
- Revogação rápida do monitoramento eletrônico
- Benefícios penais concedidos de forma atípica

Apreensões reforçam suspeitas

Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos telefones celulares e um computador pessoal pertencentes à principal investigada, que serão submetidos à perícia técnica.

Também foi apreendido um token, possivelmente pertencente ao advogado investigado, o que, segundo o MPRN, reforça a suspeita de uso indevido de credenciais e alinhamento prévio entre os envolvidos.

Além disso, os agentes localizaram aproximadamente R$ 9 mil em espécie, bem como uma pistola, cinco carregadores e munições, materiais que passam a integrar o conjunto probatório da investigação.

Servidora afastada e apenado preso novamente

Após provocação do Ministério Público, a Justiça determinou o afastamento cautelar imediato da servidora de suas funções, medida considerada essencial para a continuidade das investigações, a preservação das provas e a credibilidade do Judiciário.

O homem investigado como integrante da organização criminosa, que já possuía execução penal em andamento, foi preso novamente e conduzido à autoridade policial. Ele foi autuado em flagrante por posse de arma de uso restrito e permanece à disposição da Justiça.

Apoio institucional e forças envolvidas

A Operação Entre Dois Mundos contou com o apoio da Polícia Militar do Rio Grande do Norte e do Ministério Público da Paraíba, por meio do Gaeco, no cumprimento das medidas judiciais.

A fase investigativa teve suporte técnico do Grupo de Segurança Institucional do Tribunal de Justiça do RN (GSI/TJRN). No Rio Grande do Norte, a ação envolveu um promotor de Justiça, três servidores do MPRN e oito policiais militares.

Já na Paraíba, o apoio logístico foi realizado por doze servidores do MPPB e policiais militares.

As investigações seguem em andamento e novas medidas não estão descartadas.

Classificação Indicativa: Livre


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