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Polícia

Operação da PF mira desembargador e deputado por suposto esquema de venda de sentenças e lavagem de dinheiro

De acordo com a PF, os alvos são investigados por crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro  |  Divulgação/PF

Publicado em 08/06/2026, às 15h51   Divulgação/PF   José Nilton Jr.

A Polícia Federal (PF) iniciou nesta segunda-feira (8) a Operação Gemini, investigando um desembargador e um deputado estadual de Mato Grosso suspeitos de envolvimento em um esquema de venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro.

A ação cumpriu mandados de busca e apreensão ligados ao desembargador Dirceu dos Santos, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), ao deputado estadual Faissal Calil (PL) e ao advogado Bruno Castro. Além das diligências, a Justiça autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados.

De acordo com a PF, os alvos são investigados por crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro. A operação busca reunir provas sobre a suposta negociação de decisões judiciais e a movimentação de recursos de origem suspeita.

Deputado nega envolvimento

Ao ser abordado por jornalistas em frente à sua casa, o deputado Faissal Calil afirmou que colaborou com os agentes federais e entregou espontaneamente seu celular e a respectiva senha de acesso.

O parlamentar também negou qualquer participação em um esquema de comercialização de decisões judiciais. De acordo com ele, não existe relação atual com o desembargador investigado.

Faissal declarou ainda que perdeu contato com Dirceu dos Santos após deixar o quadro de servidores do Judiciário mato-grossense para assumir o mandato na Assembleia Legislativa.

Desembargador já estava afastado pelo CNJ

O desembargador Dirceu dos Santos já responde a um procedimento disciplinar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em março deste ano, ele foi afastado cautelarmente das funções enquanto eram apuradas movimentações financeiras consideradas incompatíveis com seus rendimentos oficiais.

Levantamento realizado pelo CNJ apontou que o magistrado teria movimentado mais de R$ 14,6 milhões nos últimos cinco anos. No mesmo período, os rendimentos declarados somaram cerca de R$ 1,9 milhão.

Conforme informações do órgão de controle do Judiciário, existem indícios de que decisões judiciais teriam sido proferidas mediante o recebimento de vantagens indevidas, com participação de intermediários, incluindo empresários e advogados.

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