☰
✕

Polícia

Esquema de desvio milionário da saúde teria financiado cafeteria, salão de beleza e clínica no RN

A operação é um desdobramento da Curari Domi, que revelou aumento na judicialização de serviços de saúde em Natal e do Estado  |  Gerado com IA

Publicado em 27/08/2026, às 08h19   Gerado com IA   ELÍ Bernardo

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) deflagrou nesta quinta-feira (27) uma operação para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro alimentada por recursos desviados da atenção domiciliar (home care).

Segundo a investigação da operação Oxigênio Financeiro, os investigados usavam o dinheiro público desviado para comprar estabelecimentos comerciais e constituir empresas de blindagem patrimonial. A ação contou com o apoio da Polícia Militar.

O Ministério Público apurou que o patrimônio erguido ilegalmente financiou uma cafeteria, um salão de beleza, uma clínica popular e firmas para proteção de bens. O dinheiro lavado era obtido por meio dos crimes de falsidade ideológica e fraude em contratação pública.

Esse grupo utilizava laudos médicos superdimensionados para obter decisões judiciais de urgência e apresentava orçamentos combinados entre empresas parceiras, pertencentes ao mesmo grupo familiar.

Com essa simulação de disputa de preços, o grupo monopolizava os contratos, ocasionando o desvio de mais de R$ 37 milhões do Estado e do Município de Natal.

Oxigênio Financeiro: operação do MPRN combate esquema de lavagem de verbas desviadas da saúde - MPRN
Oxigênio Financeiro: operação do MPRN combate esquema de lavagem de verbas desviadas da saúde - MPRN
Oxigênio Financeiro: operação do MPRN combate esquema de lavagem de verbas desviadas da saúde - MPRN
Oxigênio Financeiro: operação do MPRN combate esquema de lavagem de verbas desviadas da saúde - MPRN

Segundo a investigação, os recursos das decisões judiciais alimentavam a rede mantida pelos líderes da organização criminosa.

A estrutura criminosa contava com o suporte de um advogado, um contador e gerentes administrativos para operacionalizar os pagamentos e mascarar as contas.

Investigação

Para registrar os novos negócios e afastar os verdadeiros donos das fiscalizações, a organização criminosa usava pessoas que cediam os próprios nomes para o ciclo do esquema continuar.

O mecanismo utilizava laranjas, entre elas uma manicure e uma empregada doméstica que trabalhava na casa dos líderes. Elas figuravam formalmente como proprietárias de empresas de saúde e estabelecimentos comerciais.

A estrutura do grupo criminoso contava também com uma cooperativa de trabalho criada com o objetivo de funcionar como um departamento de pessoal disfarçado e centralizar a contratação dos profissionais de saúde.

A medida permitia descumprir o piso salarial da categoria de enfermagem e ainda sonegar direitos trabalhistas.

A operação Oxigênio Financeiro é um desdobramento da operação Curari Domi, investigação iniciada após a identificação de um aumento anormal na judicialização de serviços de saúde em Natal e no Estado.

A Curari Domi revelou que o grupo mantinha pacientes estáveis sob a dependência de laudos inflados para obter bloqueios de verbas públicas.

Apreensões

A operação Oxigênio Financeiro teve o apoio operacional da Polícia Militar no cumprimento das ordens judiciais.

Durante as diligências, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão, nos endereços residenciais e profissionais dos investigados e contou com a participação de nove promotores de Justiça, 36 servidores do MPRN e 36 policiais militares.

Entre os materiais apreendidos, as equipes recolheram documentos físicos, dinheiro em espécie sem comprovação de origem, joias e dispositivos eletrônicos, como celulares e computadores. Os aparelhos e documentos apreendidos passarão por análise técnica.

Os dados coletados irão auxiliar na identificação de outros possíveis envolvidos nos desvios e na lavagem de capitais.

Classificação Indicativa: Livre


TagsApreensõesMinistério público do rio grande do norteOperação oxigênio financeiro