Polícia
Publicado em 23/03/2026, às 11h51 Victor Piemonte/STF // Ana Paula Paiva/Valor/Agência O Globo Elí Bernardo
Em um novo capítulo da investigação contra o Daniel Vorcaro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, quer que o banqueiro revele, na delação premiada, onde foi parar o dinheiro das fraudes financeiras do Banco Master, além dos nomes de políticos e de outros personagens envolvidos no esquema.
Segundo fontes do Supremo, Mendonça acredita que é imprescindível que Vorcaro aponte o paradeiro dos mais de R$ 50 bilhões, montante estimado do rombo que está sendo ressarcido aos investidores pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Além de descobrir o paradeiro do dinheiro, o ministro quer a devolução dos recursos.
Em seus primeiros depoimentos, Vorcaro não revelou onde estão os recursos. O banqueiro tem alegado que precisaria antes ter acesso à liquidação do Master, que está sendo conduzida por um liquidante nomeado pelo Banco Central (BC).
Oliquidante do Master mira ao menos R$ 4,8 bilhões em bens e fundos de investimentos ligados a Vorcaro que podem ter sido desviados pelo banqueiro antes da liquidação da instituição pelo BC em novembro.
Além de revelar o paradeiro do dinheiro, outro desafio de Vorcaro será comprovar que não era o líder do esquema. No voto em que manteve o banqueiro preso, Mendonça o apontou como o líder.
Se Vorcaro não conseguir provar que não era o líder do esquema, o dono do Banco Master poderá perder alguns benefícios da delação premiada. Entre eles, o de não ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Quem é o relator do caso?
O relator do caso, André Mendonça, estudou esse tema de fraudes financeiras em seu doutorado. Sua tese foi intitulada “Sistema de Princípios para a Recuperação de Ativos Procedentes da Corrupção”, segundo apurou o jornalista Igor Gadelha, colunista do Metrópoles.
O trabalho do ministro foi premiado em 2019 pela Universidade de Salamanca, na Espanha, inclusive. Ele foi fruto do diagnóstico prático feito pelo ministro quando atuou como diretor do Departamento de Patrimônio Público e Probidade Administrativa (DPP) da Procuradoria-Geral da União.