Polícia

Denúncia da "Operação Treme Tudo" revela organograma do Sindicato do Crime do RN, como funciona a estrutura, lideranças e facções parceiras

Denúncia formalizada à Justiça pelo MP detalha a estrutura hierárquica e funcionamento da facção do Sindicato do Crime do RN; 26 foram denunciado  |  Reprodução/PF

Publicado em 08/05/2026, às 13h47   Reprodução/PF   BNews Natal

O Ministério Público do Rio Grande do Norte revelou, por meio de denúncia formalizada à Justiça, detalhes da estrutura hierárquica e do funcionamento interno da facção criminosa Sindicato do Crime do RN (SDC), apontada como uma das maiores organizações criminosas em atuação no território potiguar.

O BNews RN teve acesso ao documento. Nele, contam os nomes e atribuição de cada um dos dos 26 suspeitos denunciados, entre eles uma advogada. 

A investigação culminou na deflagração da "Operação Treme Tudo", em dezembro do ano passado, e teve como alvo líderes, operadores financeiros e integrantes ligados ao tráfico de drogas, comércio ilegal de armas, assassinatos e lavagem de dinheiro.

Áreas de atuação

Segundo o MP, o grupo atuava principalmente em bairros de Natal, como Ponta Negra, Rocas, Mãe Luíza, Quintas e Felipe Camarão, além de São Gonçalo do Amarante, na região Metropolitana.

Parceiros

A facção também mantinha conexões com organizações criminosas de outros estados, como o Comando Vermelho (RJ), Nova Okaida (PB), Guardiões do Estado (CE), Amigos do Estado (GO), Bonde do Maluco (BA) e Bonde dos 40 (MA).

Estrutura empresarial 

As investigações apontam que o organograma da facção possuía uma estrutura semelhante à de uma empresa, com divisão de funções, setores de arrecadação, logística, conselho estratégico e comando regional.

No topo da organização estava a chamada “Final”, considerada a cúpula máxima da facção, formada pelos fundadores e líderes responsáveis pelas decisões finais do grupo. Logo abaixo aparecia o “Conselho”, também chamado de “CBF”, composto por conselheiros estaduais encarregados de coordenar ações criminosas, resolver conflitos internos e autorizar execuções determinadas pelo chamado “Tribunal do Crime”.

Líderes

Entre os principais nomes apontados pelo MP está Alligueiton Patrício de Araújo, conhecido como “Ponta”, “Baleia”, “Professor” ou “Adidas”. Conforme a denúncia, ele exercia liderança na região conhecida como “Treme Terra”, na Vila de Ponta Negra, além de ocupar posição de conselheiro estadual da facção. A investigação indica que ele participava diretamente da coordenação do tráfico, organização de confrontos armados e articulação para aquisição de armas e munições.

A denúncia também descreve a existência de setores internos específicos dentro da organização criminosa. Um dos núcleos era responsável pela arrecadação financeira da facção, conhecida como “Caixa da Família” e “Caixa dos Irmãos”, que recebia contribuições de integrantes espalhados por diferentes regiões do estado.

As investigações identificaram divisões territoriais por zonas: Norte, Sul, Leste, Oeste e Interior. Cada área tinha um responsável pela cobrança de valores oriundos do tráfico de drogas e outras atividades ilícitas. Os recursos eram usados para manutenção da facção, compra de armas, auxílio a familiares de presos e custeio de operações criminosas.

O papel da advogada

Um dos pontos centrais da denúncia é a estrutura "Sintonia dos Gravatas". A advogada Sandra Cássia Moura Caetano virou ré por atuar como ponte entre líderes presos e criminosos nas ruas. Ela foi flagrada com os chamados "catataus", bilhetes usados para repassar ordens de execuções e ataques de dentro dos presídios.

Segundo o MP, Edson Cardoso Beserra, conhecido como “Caleri” ou “Gato”, aparecia como um dos principais gestores financeiros do grupo, supervisionando arrecadações e prestações de contas.

Já Caio Rudson Cruz de Oliveira, o “Fantasma”, era apontado como responsável pela arrecadação da Zona Oeste de Natal.

Rogério Silva do Nascimento, conhecido como “Jogador”, coordenava arrecadações da Zona Norte e do município de Ceará-Mirim.

Outro setor estratégico identificado era o chamado “Transparência” e “Cadastro Geral”, coordenado por Ricardo Alexandre do Nascimento, o “Alienígena”.

Segundo a investigação, ele era responsável pelo monitoramento das “quebradas”, cadastramento de integrantes e levantamento das necessidades operacionais das células criminosas, principalmente relacionadas à aquisição de armamento.

Grupos de WhatsApp

As apurações revelaram ainda que a facção utilizava grupos de WhatsApp com nomes como “ELENCO CBF”, “TRANSPARÊNCIA E CBF”, “CAIXA E GESTÃO”, “SELEÇÃO DO RN” e “GERAL DO SISTEMA CARCERÁRIO” para coordenar ações criminosas, cobrar repasses financeiros, disseminar ordens e compartilhar decisões da facção.

A denúncia também aponta que a organização promovia julgamentos internos conhecidos como “Tribunal do Crime”, responsáveis por decretar mortes de rivais e integrantes considerados traidores ou inadimplentes com a facção. De acordo com o MP, há indícios de envolvimento do grupo em pelo menos 11 homicídios e uma tentativa de assassinato.

Durante a Operação “Treme Tudo”, foram cumpridos mandados de prisão e busca e apreensão contra integrantes da facção. Parte dos investigados já estava custodiada em unidades prisionais do RN e de outros estados, mas, segundo a investigação, continuava comandando ações criminosas de dentro do sistema penitenciário através de celulares clandestinos.

Prisões e foragidos

A Justiça manteve a prisão preventiva de 15 réus para garantir a ordem pública. No entanto, o cerco continua para capturar três alvos que seguem foragidos:

Leia também

Classificação Indicativa: Livre


TagsMinistério públicoSindicato do crimeFacções CriminosasOperação treme tudo