Polícia
Publicado em 15/08/2026, às 06h00 Anderson Barbosa Anderson Barbosa
O combate ao crime organizado no Rio Grande do Norte ganhou força em 2026 com uma série de operações voltadas para o desmantelamento de facções que atuam no estado. O Sindicato do Crime do RN e o Comando Vermelho foram os alvos principais.
Somente este ano, e apenas em ações coordenadas pela Polícia Civil, 70 operações resultaram em mais de 200 prisões, entre cumprimentos de mandados e autos de prisão em flagrante.
Os presos são investigados por participação direta em estruturas de organizações criminosas envolvidas com tráfico de drogas, homicídios, lavagem de dinheiro, roubos e crimes contra instituições financeiras.
A ofensiva contra o crime organizado também tem contado com grandes operações coordenadas pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO/RN), que reúne forças de segurança federais e estaduais, além da atuação do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN).
Um dos principais núcleos da Polícia Civil no enfrentamento às organizações criminosas é a Divisão Especializada em Investigação e Combate ao Crime Organizado (DEICOR), subordinada diretamente à Delegacia-Geral da Polícia Civil do Rio Grande do Norte, a DEGEPOL.
A estrutura operacional da DEICOR conta com cinco delegacias especializadas: Delegacia Especializada de Repressão às Facções Criminosas (DEFAC), Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DRACO), Delegacia Especializada de Narcóticos (DENARC), Delegacia Especializada de Furtos e Roubos (DEFUR) e Delegacia Especializada de Defesa da Propriedade de Veículos e Cargas (DEPROV).
A atuação dessas unidades é direcionada principalmente à identificação das estruturas das organizações criminosas, seus integrantes, lideranças, fontes de financiamento e mecanismos utilizados para manter as atividades ilegais.
As operações realizadas em 2026 mostram uma estratégia que combina investigação, inteligência, cumprimento de mandados, bloqueio de patrimônio e repressão às atividades financeiras das organizações criminosas.
A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO/RN) tem papel importante nesse modelo de atuação integrada, reunindo Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Científica e Polícia Penal. O trabalho também conta com a participação do Ministério Público Estadual, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO-RN).
Para o delegado Joacir Lucena da Rocha, diretor da DEICOR, o enfrentamento às organizações criminosas precisa ir além da prisão de integrantes. Segundo ele, as operações também têm como objetivo enfraquecer a estrutura financeira das facções e impedir que os grupos mantenham sua capacidade de atuação.
"As operações voltadas ao combate ao crime organizado são de suma importância para a sociedade, uma vez que permitem retirar indivíduos de alta periculosidade do convívio social e desmantelar a estrutura financeira dessas organizações", destacou.
"Tais medidas são fundamentais para conter o avanço da criminalidade, especialmente no que se refere à atuação das facções criminosas no Brasil", acrescentou.
Entre as principais ofensivas realizadas em 2026 estão operações conduzidas pela FICCO/RN e pela DEICOR, que ampliaram a capacidade de investigação e repressão ao crime organizado no estado. Operações também foram deflagradas em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e Ministério Público do Estado.
Território Seguro
Em fevereiro aconteceu mais uma etapa da “Operação Território Seguro”. Mandados de prisão, de busca e apreensão foram cumpridos em Mãe Luíza, na Zona Leste de Natal. Em outubro de 2025, em sua primeira etapa, 32 pessoas foram presas. O foco principal é o enfrentamento a facções criminosas que disputam áreas e pontos de tráfico na capital potiguar. A operação integra um programa nacional de enfrentamento ao crime organizado e prevê ações de ocupação e retomada de territórios dominados por facções.
Renorcrim
A Operação Renorcrim cumpriu 70 mandados judiciais e inclui o bloqueio de cerca de R$ 9 milhões. As diligências ocorreram em abril, em diversos municípios potiguares e também tiveram desdobramentos com prisões nos estados de São Paulo e Alagoas. O objetivo foi desarticular grupos envolvidos em conflitos armados, disputa territorial e atividades ilícitas, atingindo diretamente suas lideranças, redes de apoio e fontes de financiamento.
Um5Sete
A Operação Um5Sete foi deflagrada em maio, e prendeu pelo menos 14 pessoas suspeitas de crimes como arrastões em casas, extorsões para transferências via PIX e também crimes contra motoristas por aplicativos. No Rio Grande do Norte, as prisões aconteceram em Natal, Parnamirim, Ceará-Mirim e Extremoz. Os mandados também foram cumpridos em Uberlândia (MG) e João Pessoa (PB).
Narke
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte, em ação integrada com a Receita Federal e a Polícia Rodoviária Federal, deflagrou as operações Narke I e Narke II. O objetivo foi desarticular uma organização criminosa ligada ao tráfico interestadual de drogas e à lavagem de dinheiro. Dezenove pessoas foram presas nas duas ações, realizadas em maio e junho. As prisões ocorreram em Natal, Pau dos Ferros e Parnamirim, no Rio Grande do Norte; Curitiba, no Paraná; e Florianópolis, em Santa Catarina. Mandados também foram cumpridos em unidades prisionais. A Justiça determinou ainda o bloqueio e o sequestro de bens que ultrapassam R$ 9 milhões.
Red Dot
Seis pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa com atuação no Rio Grande do Norte e em outros estados foram presas durante a operação "Red Dot", deflagrada em junho pela Polícia Civil potiguar. Os mandados foram cumpridos nas cidades de Mossoró (RN), João Pessoa (PB), Porto Belo (SC), Uberlândia (MG) e Aracati e Fortaleza (CE). Os suspeitos são investigados por organização criminosa armada, além de crimes como tráfico de drogas, associação para o tráfico, extorsão, ameaça e corrupção ativa.
Operação Fragmento
Deflagrada em julho, a Operação Fragmento foi uma das maiores ofensivas contra facções criminosas realizadas no ano. Cerca de 200 agentes participaram da ação, que cumpriu 24 mandados de prisão preventiva e 27 mandados de busca e apreensão. A operação foi realizada simultaneamente no Rio Grande do Norte, principalmente em Mossoró, e nos estados de São Paulo e Goiás. O objetivo foi desarticular uma organização criminosa envolvida principalmente com o tráfico de drogas.
Operação Recovery
Em junho, a Operação Recovery teve como alvo a estrutura de uma organização criminosa que atuava na região Oeste do Rio Grande do Norte. Foram cumpridos 35 mandados de prisão, busca e apreensão em 12 municípios potiguares, incluindo Mossoró, Natal, Baraúna e Caicó. As investigações também identificaram ramificações da organização criminosa nos estados do Ceará e de Santa Catarina.
Operação Força Integrada II e III
As operações Força Integrada II e III também fizeram parte da ofensiva contra organizações criminosas em 2026. Na edição realizada em maio, houve o bloqueio judicial de aproximadamente R$ 13 milhões em bens ligados à organização criminosa investigada. Já a etapa realizada em julho teve desdobramentos no RN, com as operações "Busting" e "Matriarca", que tiveram como alvo suspeitos ligados à estrutura criminosa, incluindo o bloqueio de contas e ações em Natal e Mossoró.
Operação Gravata
Outra investigação de grande repercussão foi a Operação Gravata, deflagrada entre junho e julho. A investigação revelou um esquema utilizado por lideranças de facções criminosas para continuar transmitindo ordens mesmo estando dentro de unidades prisionais. Duas advogadas foram utilizadas como intermediárias para repassar determinações relacionadas ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro. As ações atingiram estruturas criminosas em Natal, Parnamirim, Macaíba e Nísia Floresta. Um veículo blindado também foi apreendido.
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