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Polícia

Áudios revelam suspeita de propina de até R$ 33 milhões envolvendo policiais civis; entenda

De acordo com os investigadores, a menção aos R$ 33 milhões teria sido utilizada como forma de intimidação por parte de um dos envolvidos  |  Reprodução/Pixabay

Publicado em 05/03/2026, às 14h48   Reprodução/Pixabay   José Nilton Jr.

Mensagens de áudio e texto obtidas por meio de nvestigações revelaram detalhes de um suposto esquema de corrupção dentro de unidades da Polícia Civil de São Paulo. As informações fazem parte da apuração conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Federal (PF), que nesta quinta-feira (5) executaram uma operação para apurar crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Em um dos áudios interceptados, um dos investigados menciona uma suposta transferência de R$ 33 milhões e sugere intermediar o caso com um delegado que seria seu conhecido. Na gravação, ele diz ter ido até a delegacia e questiona se deveria tomar alguma providência, afirmando que aguardaria orientação sobre o assunto.

As investigações indicam que valores elevados como esse eram citados nas conversas para pressionar investigados e aumentar as chances de um acordo financeiro para encerrar apurações.

Pressão e tentativa de negociação

De acordo com os investigadores, a menção aos R$ 33 milhões teria sido utilizada como forma de intimidação. Em resposta ao áudio, um dos investigados negou de forma categórica a existência da transferência mencionada.

A Justiça também apontou que não há registro desse valor nos documentos analisados. De acordo com a decisão judicial, a referência ao montante teria sido apenas um mecanismo de pressão para estimular negociações ilegais.

Outras conversas interceptadas mostram tratativas diretas sobre possíveis pagamentos para evitar consequências em investigações.

Valores negociados

Em uma das mensagens, um investigado relata uma conversa com um escrivão sobre o valor da propina. Inicialmente teria sido sugerido um pagamento de R$ 700 mil.

Na sequência, o interlocutor afirma que considerou o valor alto e disse ter negociado para reduzir o pagamento a cerca de R$ 100 mil. A conversa também indica proximidade entre os envolvidos e menções a um possível “acerto” para resolver uma intimação.

Segundo a decisão judicial, os diálogos reforçam a suspeita de pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos para interferir em procedimentos policiais.

Operação Bazaar

As conversas fazem parte do material reunido na Operação Bazaar, executada nesta quinta-feira pelo MPSP e pela Polícia Federal para investigar um esquema de corrupção policial e lavagem de dinheiro em São Paulo.

Ao todo, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, inclusive em delegacias, além de 11 ordens de prisão e seis mandados de intimação relacionados a medidas cautelares.

Entre os alvos estão os doleiros Leonardo Meirelles e Meire Poza, conhecidos por já terem sido investigados na Operação Lava Jato e apontados como operadores financeiros do grupo.

Investigações continuam

A operação é conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado, com apoio da Corregedoria da Polícia Civil.

Após reunião com a corregedoria, foi determinada a realização de inspeções extraordinárias nas unidades policiais citadas nas investigações para apurar possíveis irregularidades e responsabilidades disciplinares.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirmou que a Polícia Civil não tolera desvios de conduta e que todas as medidas legais e administrativas serão adotadas caso as irregularidades sejam confirmadas.

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TagsInvestigaçãoCorrupçãoMpspPolícia Civil SP