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Publicado em 26/12/2025, às 15h53 O aumento do salário mínimo traz impactos de extrema relevância para o orçamento público - Reprodução/PagBank José Nilton Jr.
De acordo com um levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo de R$ 1.621 deverá injetar na economia brasileira cerca de R$ 81,7 bilhões. A previsão é que o novo valor seja implementado no dia 1º de janeiro, com o seu pagamento começando no mês seguinte.
O cálculo leva em consideração os efeitos diretos sobre renda, consumo e arrecadação, mesmo diante de um cenário de maior rigor fiscal. Além disso, o reajuste representa um aumento nominal de 6,79% em relação ao valor atual e segue as diretrizes da política permanente de valorização do salário mínimo, retomada pelo governo federal.
Segundo a estimativa do Dieese, cerca de 61,9 milhões de pessoas terão seus rendimentos influenciados diretamente pela nova quantia, o que engloba trabalhadores ativos, aposentados, pensionistas e empregadores.
Entre os beneficiados, 29,3 milhões são aposentados e pensionistas do INSS, que recebem benefícios atrelados ao piso nacional. Outros 17,7 milhões correspondem a trabalhadores empregados, enquanto 10,7 milhões atuam como autônomos.
O levantamento aponta ainda que 3,9 milhões de empregados domésticos e cerca de 383 mil empregadores que sentirão os reflexos do reajuste, seja pelo aumento da renda ou pela elevação dos custos trabalhistas.
O aumento do salário mínimo traz impactos de extrema relevância para o orçamento público, principalmente nas despesas obrigatórias. As projeções indicam um acréscimo estimado de R$ 39,1 bilhões nos gastos da Previdência Social para o próximo ano.
De acordo com os dados, cada R$ 1 de aumento no piso nacional gera um custo adicional de aproximadamente R$ 380,5 milhões aos cofres públicos. Atualmente, 46% das despesas previdenciárias são diretamente influenciadas pelo valor do salário mínimo.
O cálculo do salário mínimo segue a Lei 14.663 que determina a correção anual com base na inflação medida pelo INPC do ano anterior e no crescimento do PIB de dois anos antes.
Para o próximo ano, porém, o reajuste sofre limitações impostas pelo novo arcabouço fiscal, estabelecido pela Lei Complementar 200/2023, que fixa um teto para o crescimento real das despesas da União.
Assim, a inflação acumulada pelo INPC, de 4,18%, será aplicada integralmente, enquanto o crescimento do PIB, de 3,4%, ficará limitado a 2,5%. A combinação desses fatores resulta em um aumento nominal de R$ 103 no salário mínimo, elevando o valor para R$ 1.621.