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Publicado em 05/11/2026, às 14h37 Foto: Miguel Ângelo/CNI Giovana Gurgel
Mais da metade das indústrias brasileiras espera redução nos lucros nos próximos três meses, enquanto 47,7% das empresas pretendem aumentar os preços de venda. O cenário de pressão financeira também deve elevar a procura por empréstimos: 51,9% dos empresários projetam necessidade de mais crédito para pagar fornecedores, segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada nesta quarta-feira (4) pela Federação das Indústrias do RN (FIERN).
O levantamento aponta que 56,9% das empresas esperam redução ou forte redução da margem de lucro. Apenas 15,9% projetam ampliar os ganhos. Outros empresários não esperam mudanças significativas no indicador.
A expectativa de queda na rentabilidade permanece praticamente estável em relação aos levantamentos anteriores. Em agosto, 57% das indústrias previam redução das margens, enquanto em junho o percentual havia chegado a 64%.
A pesquisa mostra uma mudança na estratégia de preços do setor industrial. Quase metade das empresas, 47,7%, pretende aumentar ou elevar significativamente os valores de venda no próximo trimestre. O mesmo percentual planeja manter os preços, enquanto apenas 4,5% consideram reduzi-los.
Na consulta anterior, realizada entre 18 e 28 de agosto com 179 empresas de 28 setores, 35% planejavam reajustar os preços e 53% pretendiam manter os valores praticados.
A pressão sobre os custos também aparece na necessidade de financiamento. Além dos 51,9% que esperam recorrer mais ao crédito para pagar fornecedores, 41,1% projetam ampliar os empréstimos para manter estoques e 44,3% para cobrir contas a receber.
Entre as indústrias que preveem maior necessidade de financiamento, 56,1% esperam pagar juros mais altos nas operações destinadas a fornecedores. A expectativa também atinge os recursos para estoques, citados por 50%, e para contas a receber, mencionados por 34,3%.
"Mesmo com o Banco Central fazendo cortes na taxa Selic, os juros continuam altos e o ambiente de crédito é restritivo", afirmou Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI.
Apesar da pressão financeira, as projeções indicam estabilidade no endividamento bancário para parte significativa do setor. Entre as empresas consultadas, 42,1% esperam manter o nível atual das dívidas, enquanto 28,9% projetam aumento e outros 28,9% preveem redução.
A proporção de indústrias que espera ampliar o endividamento vem diminuindo ao longo do ano. Em junho, o percentual era de 45%, passando para 32% em agosto e chegando a 28,9% na pesquisa mais recente.
O levantamento foi divulgado no mesmo dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, anuncia a decisão sobre a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 13,75% ao ano.
A taxa influencia diretamente o custo dos empréstimos utilizados pelas empresas para financiar o capital de giro, pagar fornecedores e manter estoques. A próxima pesquisa da CNI deverá indicar se as projeções de queda nos lucros, reajustes de preços e necessidade de crédito se confirmaram até o encerramento do ano.
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