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Publicado em 03/03/2026, às 17h37 Reprodução: Freepik Jussier Lucas
O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer atendimento virtual gratuito em saúde mental para adultos com problemas relacionados a jogos e apostas, especialmente em plataformas online. O serviço é destinado a pessoas com 18 anos ou mais e também pode ser acessado por familiares e integrantes da rede de apoio.
O acesso é feito pelo aplicativo Meu SUS Digital ou pela versão web da plataforma, mediante login na conta Gov.br. A iniciativa integra um conjunto de medidas do governo federal voltadas ao enfrentamento dos impactos das apostas online na saúde da população.
Segundo o Ministério da Saúde, a expectativa inicial é realizar cerca de 600 atendimentos por mês. O serviço é oferecido em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), com investimento estimado em R$ 2,5 milhões.
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Como funciona o atendimento
Para iniciar o processo, o usuário deve acessar o aplicativo, selecionar a área de “Miniapps” e escolher a opção relacionada a problemas com jogos e apostas. Em seguida, responde a um autoteste validado no Brasil, com perguntas baseadas em evidências científicas para identificar sinais de risco.
Caso o resultado indique risco moderado ou elevado, o encaminhamento ao teleatendimento é automático. Nos casos classificados como de menor risco, o sistema orienta o usuário a procurar atendimento presencial na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que inclui os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e as Unidades Básicas de Saúde (UBS).
As consultas são realizadas por vídeo, têm duração média de 45 minutos e podem integrar um ciclo de cuidado com até 13 sessões por paciente. O acompanhamento pode ocorrer de forma individual ou em grupo, com possibilidade de participação de familiares.
A equipe é composta por psicólogos e terapeutas ocupacionais, com suporte de psiquiatra quando necessário. O modelo também prevê telemonitoramento e articulação com a rede local do SUS para eventual encaminhamento presencial.
Dados do Ministério da Saúde apontam que, em 2025, foram registrados 6.157 atendimentos presenciais relacionados a jogos e apostas no SUS. A avaliação técnica é de que a procura espontânea ainda é limitada, muitas vezes por vergonha, estigmatização ou dificuldade de reconhecer o problema.
A aposta no atendimento remoto busca ampliar o acesso ao cuidado de forma mais reservada e facilitar o primeiro contato com o sistema público.
A medida faz parte de uma estratégia interministerial. Entre as ações complementares estão a Plataforma de Autoexclusão Centralizada, coordenada pelo Ministério da Fazenda, que permite ao usuário bloquear o acesso a sites de apostas autorizados, e o Observatório Saúde Brasil de Apostas, voltado à troca de dados entre as áreas de Saúde e Fazenda.
Também foram publicadas diretrizes clínicas e uma linha de cuidado específica para pessoas com problemas relacionados a jogos.
O Ministério informou ainda que a Ouvidoria do SUS, pelo telefone 136, está preparada para orientar usuários sobre o novo serviço.
De acordo com dados oficiais, o orçamento federal destinado à saúde mental passou de R$ 1,7 bilhão em 2022 para R$ 2,9 bilhões em 2025. Atualmente, a rede pública conta com 6.272 pontos de atenção em saúde mental, incluindo cerca de 3 mil CAPS.
O avanço das apostas online impôs novos desafios ao sistema de saúde, especialmente na identificação precoce de comportamentos compulsivos — condição reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como transtorno mental sob a classificação de “transtorno do jogo” na CID-11.
O impacto do novo serviço deverá ser avaliado a partir dos dados de utilização e da ampliação do acesso ao cuidado nos próximos meses.