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Publicado em 28/07/2026, às 18h29 Fernando Frazão/Agência Brasil Jussier Lucas
O Sistema Único de Saúde (SUS) poderá passar a oferecer, ainda em 2026, uma nova alternativa para a prevenção do HIV. O Ministério da Saúde informou que encaminhará à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) o pedido para incluir o cabotegravir, medicamento injetável de longa duração aplicado a cada dois meses.
Caso seja aprovado, o medicamento ampliará as opções de profilaxia pré-exposição (PrEP), estratégia utilizada para evitar a infecção pelo HIV antes da exposição ao vírus. Atualmente, o SUS disponibiliza gratuitamente a versão oral da PrEP, que deve ser tomada diariamente.
Segundo o Ministério da Saúde, a proposta faz parte das ações para fortalecer as políticas de prevenção ao HIV e ampliar o acesso a tecnologias mais modernas para grupos com maior vulnerabilidade à infecção.
O cabotegravir age impedindo a replicação do HIV no organismo e se diferencia da PrEP oral pela praticidade. Em vez do uso diário de comprimidos, o paciente recebe uma aplicação a cada dois meses, o que pode favorecer a continuidade do tratamento.
Antes da incorporação ao SUS, o medicamento será analisado pela Conitec, responsável por avaliar critérios como eficácia, segurança, impacto orçamentário e custo-benefício. A decisão final caberá ao Ministério da Saúde após a conclusão da análise técnica.
De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o governo também negocia com a farmacêutica GSK, fabricante do cabotegravir, os valores e a quantidade de doses que poderão ser adquiridas para a rede pública.
Outro medicamento de longa duração, o lenacapavir, também foi avaliado pelo governo, mas acabou descartado neste momento devido ao alto custo apresentado pela fabricante, considerado incompatível com a política pública de saúde.
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Pesquisas realizadas no Brasil e no exterior indicam resultados positivos para o uso do cabotegravir. Um estudo conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com cerca de 1,4 mil participantes em seis cidades brasileiras, mostrou que 83% dos voluntários preferiram a versão injetável em relação aos comprimidos diários. Além disso, 94% compareceram às aplicações dentro do prazo previsto e nenhum participante contraiu HIV durante o acompanhamento.
Outro levantamento, realizado pelas farmacêuticas ViiV Healthcare e GSK com usuários dos Estados Unidos, registrou uma taxa anual de infecção de apenas 0,1% entre pessoas que utilizaram corretamente o medicamento.
Especialistas afirmam que a principal vantagem da PrEP injetável é facilitar a adesão ao tratamento, especialmente entre pessoas que têm dificuldade em manter o uso diário dos comprimidos.
Atualmente, mais de 350 mil pessoas utilizam a PrEP oral oferecida gratuitamente pelo SUS. Em 2024, o Brasil registrou mais de 39 mil novos casos de infecção pelo HIV, cenário que reforça a importância da ampliação das estratégias de prevenção para reduzir a transmissão do vírus.