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Publicado em 15/12/2025, às 15h58 A pesquisa revelou também que a maioria dos usuários do WhatsApp participa de grupos familiares - Reprodução/GHZ José Nilton Jr.
De acordo com uma pesquisa feito pelo InternetLab e pela Rede Conhecimento Social, o compartilhamento de informações e opiniões sobre política tem caído de maneira significativa em grupos compostos por familiares, amigos e colegas no WhatsApp, aplicativo de mensagens da empresa Meta. Além disso, mais da metade dos participantes desses grupos afirma sentir receio de se manifestar sobre política.
Os dados integram o estudoOs Vetores da Comunicação Política em Aplicativos de Mensagens, que foi divulgado nesta segunda-feira (15). A pesquisa ainda aponta para uma retração no debate político cotidiano dentro da plataforma, especialmente em ambientes considerados mais íntimos.
O InternetLab e a Rede Conhecimento Social são organizações independentes e sem fins lucrativos, que analisam o impacto das tecnologias digitais na vida social e política.
A pesquisa revelou também que a maioria dos usuários do WhatsApp participa de grupos familiares, 54%, e de amigos, 53%, enquanto 38% integram grupos de trabalho. Em contraste, apenas 6% fazem parte de grupos voltados especificamente para discussões políticas, percentual que já foi de 10% em 2020.
Ao analisar o conteúdo trocado nesses espaços, os pesquisadores observaram uma queda consistente na circulação de mensagens relacionadas à política, a políticos e ao governo entre os anos de 2021 e 2024.
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Nos grupos familiares, 34% dos entrevistados afirmavam em 2021 que ali era onde mais recebiam notícias políticas. Em 2024, esse número caiu para 27%. Entre amigos, a queda foi ainda maior, de 38% para 24%, enquanto nos grupos de trabalho o índice recuou de 16% para 11%.
O estudo também identificou um ambiente marcado pelo receio de conflitos. Um pouco mais da metade dos entrevistados, 56%, afirmou ter medo de expressar opiniões políticas nos grupos devido à agressividade percebida nas interações.
Esse sentimento atravessa diferentes espectros ideológicos, sendo relatado por 63% das pessoas que se identificam com a esquerda, 66% do centro e 61% da direita. Para muitos, o debate deixou de ser uma troca de ideias e passou a ser visto como confronto.
Como consequência, comportamentos de autocensura se tornaram frequentes. Segundo a pesquisa, 52% dizem pensar mais antes de se manifestar e 50% evitam discutir política em grupos familiares para não gerar atritos. Além disso, 29% já saíram de grupos por se sentirem desconfortáveis em expressar suas opiniões.
Apesar do cenário de retração, a pesquisa mostra que uma parcela dos usuários segue se manifestando. Do total, 12% afirmam compartilhar informações que consideram relevantes, mesmo sabendo que podem causar incômodo, e 18% dizem se posicionar quando acreditam em uma ideia, ainda que isso gere reações negativas.
Entre os 44% que se sentem à vontade para discutir política no WhatsApp, surgem estratégias para minimizar conflitos. Cerca de 30% recorrem ao humor como forma de abordar temas políticos, 34% preferem conversas privadas em vez de grupos e 29% limitam o debate a espaços onde há afinidade ideológica.
A pesquisa ouviu 3.113 pessoas com 16 anos ou mais, de todas as regiões do Brasil, entre os dias 20 de novembro e 10 de dezembro do ano passado. O estudo contou com apoio financeiro do WhatsApp, que, segundo o InternetLab, não interferiu em nenhuma etapa da pesquisa.