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Protesto fecha avenida em Natal e pescadores pressionam governo por regulamentação

Mobilização de pescadores em Natal pede a liberação da pesca da ova do peixe voador, essencial para a economia local  |  Foto: José Aldenir

Publicado em 20/05/2026, às 14h29   Foto: José Aldenir   Giovana Gurgel

O impasse envolvendo a regulamentação da pesca da ova do peixe-voador mobilizou pescadores do litoral potiguar e provocou protesto na manhã desta quarta-feira (20), em Natal. A manifestação aconteceu em frente à Superintendência Federal da Pesca e Aquicultura (SFPA/RN), no bairro da Ribeira, e causou bloqueio em um trecho da Avenida Duque de Caxias. Trabalhadores cobram a liberação imediata da atividade, considerada essencial para a economia de diversos municípios costeiros.

Representantes de Caiçara do Norte, São Bento do Norte, Galinhos, Macau, Guamaré, São Miguel do Gostoso e Pedra Grande participaram do ato e foram recebidos pela superintendência para discutir a situação da categoria. A atividade é voltada à coleta das ovas do peixe-voador, conhecidas comercialmente como tobiko ou golden caviar, produto amplamente utilizado na culinária japonesa e destinado, em grande parte, à exportação internacional.

Exportação milionária 

Segundo pescadores, a crise começou após uma operação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que apreendeu uma carga de ovas avaliada em R$ 15,7 milhões no Porto do Pecém, no Ceará. O material seria exportado para Taiwan, mas foi retido por falta de comprovação legal da origem do produto.

O pescador Isailton Tavares afirmou que a exigência de regulamentação nunca havia sido apresentada anteriormente aos trabalhadores da atividade.

“Essa questão de regulamentação nunca foi solicitada para o pescador. E hoje eles estão reivindicando uma regulamentação sem avisar os pescadores. De repente, trancaram a venda para exportação. Aí como é que o pescador pesca se não vende?”, declarou.

Ainda de acordo com Isailton, centenas de famílias dependem financeiramente da atividade durante o período em que outras modalidades de pesca sofrem redução.

“Muitos pescadores e donos de barco pescam durante todo esse período e mantêm suas famílias com esses recursos, porque depois o pescado fica mais escasso”, afirmou.

Governo e órgãos ambientais discutem regras 

O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) informou, em nota, que o processo de ordenamento da pesca do peixe-voador e da comercialização das ovas segue em análise técnica e administrativa, em articulação com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

Segundo a pasta, o objetivo é garantir segurança jurídica e transparência ao processo de regulamentação da atividade. O órgão destacou ainda que as análises seguem os trâmites previstos pelo Governo Federal. As equipes técnicas do MPA; do MMA; do Ibama, e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), participaram de uma reunião nesta quarta-feira (20), em Brasília, para discutir o ordenamento da espécie.

A pesca da ova do peixe-voador acontece sem a captura do animal adulto. Os ovos são depositados naturalmente em estruturas produzidas com cascas de coqueiro, utilizadas pelos pescadores durante o processo de coleta. O produto possui alto valor no mercado internacional. Uma embalagem com apenas 80 gramas das ovas pode custar cerca de € 10,60, equivalente a aproximadamente R$ 67 na cotação atual.

Em abril, o Ministério da Pesca e Aquicultura e o Governo do Rio Grande do Norte chegaram a discutir a possibilidade de uma autorização transitória para permitir a continuidade da coleta, diante do risco de paralisação da atividade e dos impactos econômicos previstos para o setor em 2026.

Fonte: Agora RN

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