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Polícia confirma: peçonha matou pescador e peixe com nome de fera volta a assustar o litoral do RN

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Ele é um predador voraz, um invasor que causa desequilíbrio ambiental. Perícia confirma que morte de um pescador, em 2025, foi causada pelo animal  |   BNews RN - Divulgação Wikipédia
Anderson Barbosa

por Anderson Barbosa

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Publicado em 17/01/2026, às 06h00



Pescadores da costa potiguar estão assustados com a presença de um peixe que tem nome de fera. Trata-se do peixe-leão (Pterois volitans), um invasor de habtats, um predador voraz, capaz de inocular veneno. Nesta semana, a Polícia Civil confirmou que a morte de um pescador no litoral do RN, fato ocorrido em maio do ano passado, foi mesmo causada pela peçonha do animal.

Provavelmente, este é o primeiro registro da morte de uma pessoa em razão de ferroadas de um peixe-leão no Brasil.

Pescador Thiago Rodrigues; Pai disse que o filho foi ferido por um peixe-leão
Pescador Thiago Rodrigues; Pai disse que o filho morreu após ser ferido por um peixe-leão

Polícia Civil confirma: veneno do peixe-leão matou pescador no RN

No Rio Grande do Norte, a primeira aparição de um peixe-leão aconteceu em 2022. Desde então, centenas de peixes-leão já foram vistos ou capturados na costa potiguar, segundo informações do IBAMA, Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

No ano passado, a morte de um pescador, fato ocorrido no dia 18 de maio, virou caso de polícia. A vítima foi o mossoroense Thiago Rodrigues da Silva, de 25 anos, que morreu em alto mar. O barco saiu da praia de Pernambuquinho, em Grossos, no litoral Norte do estado. O pai também estava a bordo, e retornou com o filho sem vida.

Em depoimento, o pai disse que, antes de o filho passar mal, teria sido atingido duas vezes pelos espinhos venenosos do animal quando eles puxavam uma rede de pesca. Tiago morreu na embarcação, antes mesmo de retornar à praia.

A Polícia Civil solicitou exames toxicológicos à Polícia Científica. Nesta semana, a pedido do BNews Natal, veio a confirmação:

Com base em laudo pericial, a polícia entendeu que a morte foi pela peçonha do peixe-leão, e não houve conduta criminosa. O judiciário já arquivou o inquérito".

A resposta foi dada pelo delegado Jomário Montenegro, que provisoriamente responde pela Delegacia de Polícia Civil de Grossos.

Repercussão internacional

À época, a suspeita de a morte de Tiago ter sido provocada pelo peixe-leão repercutiu na imprensa internacional.

O tabloide britânico The Mirror publicou a seguinte manchete: "Young dad dies after being stung by deadly venomous lionfish on diving".  Em uma tradução literal: "Pai jovem morre após ser picado por um peixe-leão venenoso durante viagem de mergulho".

Morte do potiguar Tiago foi destaque no britânico The Mirror
Morte do potiguar Tiago foi destaque no britânico The Mirror
 
No The Scuba News, mídia especializada na indústria do mergulho e que possui múltiplas edições no Reino Unido, Canadá, Ilhas Cayman, África do Sul e Austrália, a manchete foi a seguinte: "Brazilian Diver Dies Following Suspected Lionfish Sting", ou seja, "Mergulhador brasileiro morre após suspeita de picada de peixe-leão".
Morte do brasileiro também repercutiu em mídia especializada em mergulhos
Morte do brasileiro também repercutiu em mídia especializada em mergulhos

Além de ser uma espécie invasora, o peixe-leão tem causado estragos no litoral brasileiro. Sem predadores naturais, ele se reproduz rápido e se alimenta de espécies nativas, ameaçando o equilíbrio ecológico do local. Em Fernando de Noronha, por exemplo, já foi constatado que ele come outros peixes do arquipélago e se reproduz na região. 

Peixe-leão / Foto: Wikipédia
Peixe-leão / Foto: Wikipédia

O predador pode consumir até 20 peixes em apenas 30 minutos, e tem capacidade de se reproduz rapidamente, conseguindo colocar até 30 mil ovos de uma só vez.

Captura gravada

Na semana passada, no litoral de Guamaré, na região da Costa Branca do estado, vários peixes-leão foram capturados e aniquilados.  

No vídeo gravado por pescadores de Guamaré (VEJA ABAIXO), é possível ver vários peixes-leão ainda vivos. Eles são mortos e lançados de volta na água.

O que diz o IBAMA no RN

"O peixe-leão é um dos problemas ecológicos de nossas praias. Precisamos estar atentos para evitar acidentes. Fizemos reuniões com a UFERSA e o Ministério da Pesca. O IBAMA no Rio Grande do Norte está acompanhando a situação", afirmou o superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis no RN, (IBAMA/RN), professor Rivaldo Fernandes.

Espécie invasora chegou pelo Caribe

A orientação do IBAMA é para evitar o contato direto e buscar ajuda especializada para o manejo seguro, prevenindo acidentes e impactos ainda maiores ao meio ambiente.

O peixe-leão, originário do Indo-Pacífico, é uma espécie invasora no Oceano Atlântico que se expandiu a partir do Caribe no início de 1990 até alcançar o litoral brasileiro.

Segundo o ICMBio, as primeiras aparições da espécie no Brasil foram em Arraial do Cabo, no litoral do Rio de Janeiro, em 2014 e 2015. Em dezembro de 2020, o primeiro peixe-leão foi capturado em Fernando de Noronha. Depois, apenas em 3 de agosto de 2021 foi encontrado o segundo animal.

Presente em todos os estados litorâneos do Norte e Nordeste

A espécie está presente em todos os estados litorâneos do Norte e Nordeste do Brasil, incluindo a ilha de Fernando de Noronha. Trata-se de um predador oportunístico que se alimenta de crustáceos e peixes, inclusive de indivíduos quase do seu tamanho, com alta capacidade reprodutiva e espinhos capazes de inocular veneno.

Segundo Adolfo Hubner, analista ambiental da Equipe de Biodiversidade e Florestas do Ibama em Sergipe, embora o peixe-leão tenha preferência por áreas recifais, já há evidências de adaptação a ambientes estuarinos. Os estuários, conhecidos como “berçários do mar”, podem ter suas populações marinhas severamente impactadas pela presença da espécie.

Espinhos venenosos

O peixe-leão é considerado um predador voraz. Sem predadores naturais, ele come quase tudo que aparece na frente. No Oceano Atlântico, sua presença é um risco e pode levar à diminuição da biodiversidade e à perda de espécies locais, pois ele se adapta a diferentes ambientes muito rapidamente, tornando difícil o seu controle. Ele possui espinhos venenosos na região dorsal e na nadadeira peitoral, que podem causar dores intensas, inchaço, vômito, diarreia e, em casos mais graves, choque anafilático (convulsões).

Socorro médico

Em caso de ferimentos por causa dos espinhos ou ferrões, é recomendado procurar atendimento médico imediato. O peixe-leão é de difícil manuseio, justamente em razão dos espinhos venenosos. Se houver a pesca acidental ou involuntária de um peixe-leão, a recomendação é não devolvê-lo ao mar, e informar aos órgãos ambientais sobre a captura.

Por fim, é importante entender que o peixe-leão é uma espécie invasora que causa sérios impactos ambientais e riscos para a segurança humana. É fundamental estar atento à sua presença e seguir as orientações das autoridades ambientais para garantir a preservação do ecossistema marinho e a segurança de todos.

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