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Preso pelo 8 de janeiro, ex-policial teve bens liberados apenas 48 horas antes de morrer

Desde o início das investigações, os bens do ex-policial foram bloqueados por determinação do STF para garantir eventuais indenizações ao Tribunal  |  Reprodução/GP1

Publicado em 20/01/2026, às 13h59   Reprodução/GP1   José Nilton Jr.

No dia 8 de janeiro de 2023, após um almoço em Brasília, José Fernando Honorato planejava assistir a um filme no shopping Pier 21, a cerca de dois quilômetros da Praça dos Três Poderes. O trajeto, porém, tomou outro rumo quando ele se deparou com um comboio da Polícia Militar do Distrito Federal. Movido pela curiosidade, ele reduziu a velocidade, seguiu as viaturas e acabou entrando no prédio do Supremo Tribunal Federal (STF). 

Ao acessar o edifício, encontrou um cenário de destruição, com vidraças quebradas, móveis revirados e paredes vandalizadas. Essa versão foi apresentada por Honorato em sua defesa no processo penal que passou a tramitar no STF, julgamento que não foi concluído em razão de sua morte, ocorrida em 19 de novembro do ano passado. 

Diagnosticado com câncer de pâncreas, Honorato enfrentava sessões de quimioterapia no Hospital Anchieta, em Brasília. Mesmo doente, permaneceu por meses submetido a medidas cautelares, com tornozeleira eletrônica e severas restrições financeiras, enquanto respondia às acusações relacionadas aos atos daquele dia.

Vídeos, investigação e acusações

A presença de Honorato no STF durante a invasão foi reforçada por registros publicados por ele próprio nas redes sociais. Em dois vídeos, compartilhados com cerca de 5 mil seguidores no Facebook, o então aposentado da Polícia Federal aparece mostrando os danos no prédio e narrando que o “povo” havia quebrado tudo, acusando ministros da Corte de corrupção e condutas ilegais.

Essas gravações, somadas a visitas frequentes ao acampamento montado em frente ao Quartel-General do Exército, serviram de base para as acusações de participação em atos contra o Estado Democrático de Direito. Honorato havia sido dirigente do sindicato dos Policiais Federais do Distrito Federal por quase uma década e não possuía antecedentes criminais antes do episódio.

Preso no fim de janeiro de 2023, em Goiânia, ele passou quase dez meses no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Segundo a defesa, o ambiente representava risco elevado por se tratar de um ex-policial. 

Doença, bloqueio de bens e liberação tardia

A soltura aconteceu apenas em 15 de dezembro de 2023, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, após exames apontarem lesão no pâncreas e suspeita de câncer. Mesmo fora da prisão, Honorato continuou submetido a medidas restritivas rigorosas, incluindo uso de tornozeleira eletrônica. 

Desde o início das investigações, seus bens foram bloqueados por determinação do STF para garantir eventuais indenizações ao Tribunal, em meio à apuração sobre possível financiamento dos atos de 8 de janeiro, hipótese que não chegou a ser comprovada. Com isso, o acesso à aposentadoria de quase R$ 19 mil brutos mensais foi reduzido a apenas um salário mínimo.

Em agosto de 2025, a defesa pediu o desbloqueio integral das contas, alegando que os recursos disponíveis eram insuficientes para enfrentar um câncer já em estágio avançado. A liberação do dinheiro só ocorreu dois dias antes da morte de Honorato, quando ele já estava internado em estado grave, sem previsão de alta.

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