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No Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, veja situação do RN e ações realizadas

No Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, um dos desafios do Estado é fortaler políticas públicas voltadas à população em situação de rua  |  Reprodução

Publicado em 17/10/2026, às 06h00   Reprodução   BNews RN

O Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, celebrado neste sábado (17), chama a atenção para um dos maiores desafios sociais do Rio Grande do Norte: fortaler políticas públicas voltadas à população em situação de rua.

Dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o RN tem registrado uma redução nos indicadores de pobreza, enquanto enfrenta o desafio de ampliar a proteção social às pessoas que vivem em situação de rua. Os dois cenários ajudam a compreender a complexidade das desigualdades sociais.

Dados da Síntese de Indicadores Sociais 2025 também revelam que a proporção da população potiguar vivendo abaixo da linha de pobreza caiu de 43,8%, em 2023, para 33,5%, em 2024. A redução de 10,3 pontos percentuais levou o estado ao menor patamar da série histórica iniciada em 2012.

O resultado também colocou o Rio Grande do Norte com a menor proporção de pessoas pobres entre os estados nordestinos. 

A melhora também foi observada na capital. Em Natal, o percentual da população abaixo da linha de pobreza passou de 31,9% para 21,7% entre 2023 e 2024. Na Região Metropolitana de Natal, o índice recuou de 40,1% para 25,7% no mesmo período.  

Extrema pobreza também recua

Outro indicador positivo foi a redução da extrema pobreza no estado. Em 2024, 5,2% da população potiguar estava nessa condição, ante 6,4% no ano anterior, conforme os dados do IBGE.

Para o levantamento, a linha de pobreza considera a renda domiciliar mensal por pessoa abaixo do limite internacional adotado pelo estudo, equivalente a R$ 692 em 2024. O indicador de extrema pobreza utiliza um limite de renda inferior. Esses parâmetros permitem comparar as condições de vida da população ao longo do tempo.

Além disso, o rendimento nominal mensal domiciliar per capita do Rio Grande do Norte chegou a R$ 1.819 em 2025, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo IBGE em fevereiro de 2026. 

População em situação de rua preocupa

Apesar dos avanços nos indicadores de pobreza monetária, os dados sobre a população em situação de rua mostram que a vulnerabilidade social continua sendo um desafio para o estado.

Levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, da Universidade Federal de Minas Gerais, com base no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), aponta que o número de pessoas nessa condição passou de 1.597, em 2020, para 3.345, em 2025.

No Nordeste, o RN ocupa a quinta posição em número de pessoas em situação de rua, com 3.345 registros. O estado fica atrás de Bahia (16.624), Ceará (14.171), Pernambuco (8.540) e Maranhão (3.700), mas supera Alagoas (2.968), Paraíba (1.963), Piauí (1.767) e Sergipe (1.723).

Indicadores não são contraditórios

Pobreza monetária e situação de rua são fenômenos relacionados, mas diferentes. A redução da proporção de pessoas abaixo da linha de pobreza não significa, necessariamente, que todos os grupos em situação de vulnerabilidade tenham experimentado a mesma melhora. A situação de rua envolve múltiplos fatores e exige respostas específicas, incluindo acesso à moradia, saúde, assistência social e oportunidades de trabalho.

Ciamp/Rua articula ações no RN

É nesse contexto que o Comitê Estadual Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política para População em Situação de Rua do Rio Grande do Norte (Ciamp/Rua) vem desenvolvendo iniciativas voltadas ao fortalecimento da política pública no estado.

Comitê busca políticas públicas que possam reduzir população em situação de rua

Atuação

O trabalho do comitê inclui visitas técnicas a serviços de atendimento, entre eles os abrigos 24 horas. As atividades permitem conhecer as condições de funcionamento dos equipamentos e os desafios enfrentados no acolhimento da população em situação de rua.

A atuação territorial também alcançou Mossoró e Parnamirim, com visitas destinadas a conhecer as realidades locais, os serviços disponíveis e as principais dificuldades enfrentadas pelos municípios.

Em Currais Novos, o Ciamp/Rua acompanhou, em 2026, o início da construção da política municipal para a população em situação de rua. A iniciativa representa um movimento de ampliação e descentralização dessa agenda, levando a discussão para além da capital e considerando as particularidades de cada município.

Ações

Além das iniciativas de planejamento e articulação institucional, o comitê realizou a distribuição de kits de higiene para pessoas em situação de rua. A ação busca responder a necessidades básicas identificadas no território e complementa o trabalho de estruturação das políticas públicas.

As iniciativas desenvolvidas pelo Ciamp/Rua reúnem diferentes frentes: fortalecimento institucional, articulação entre secretarias, participação social, visitas técnicas e incentivo à construção de políticas estaduais e municipais.

Embora esse processo ainda esteja em andamento, as ações representam passos para ampliar a cooperação entre o Estado, os municípios, a sociedade civil e a própria população em situação de rua.

O desafio é transformar essa articulação em políticas permanentes e efetivas, capazes de ampliar o acesso à moradia, à saúde, à assistência social e a outros direitos fundamentais. Diante do crescimento registrado no Rio Grande do Norte, fortalecer a rede de atendimento e construir respostas integradas são medidas importantes para enfrentar a vulnerabilidade social e promover a inclusão.

O Ciamp/Rua-RN

O Ciamp/Rua-RN foi instituído pelo Decreto Estadual nº 27.681/2018 e reestruturado pelo Decreto Estadual nº 30.119, de 9 de novembro de 2020. O objetivo é acompanhar, monitorar e propor o acesso da população em situação de rua a políticas públicas de assistência social, saúde, moradia, trabalho, educação e direitos humanos.

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TagsPolíticas públicasPobrezaCiamp/Rua