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Publicado em 14/04/2026, às 17h09 Reprodução Jussier Lucas
O Fundo Monetário Internacional revisou suas projeções para a economia global e indicou efeitos diretos da guerra no Oriente Médio sobre o crescimento mundial. Segundo o relatório World Economic Outlook, divulgado nesta terça-feira (14), o cenário internacional mais adverso levou à redução da estimativa global, enquanto o Brasil teve leve melhora nas previsões.
A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial caiu de 3,3% para 3,1% em 2026. Já para o Brasil, a expectativa subiu de 1,6% para 1,9% no mesmo período, colocando o país entre aqueles com revisão positiva.
De acordo com o Fundo, a principal razão para a mudança no cenário global está relacionada à alta dos preços da energia, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio e seus reflexos no mercado internacional de petróleo.
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O relatório aponta que o aumento dos combustíveis interrompeu uma trajetória de recuperação mais consistente da economia global. A Agência Internacional de Energia já classificou o atual momento como um dos maiores choques no mercado de petróleo da história recente.
Apesar do impacto negativo global, o Brasil pode se beneficiar no curto prazo por ser exportador líquido de energia. Esse fator tende a gerar ganhos comerciais e compensar parte dos efeitos da desaceleração internacional.
Ainda assim, o desempenho brasileiro segue abaixo de outras economias emergentes. O FMI projeta crescimento de 6,5% para a Índia e de 4,4% para a China em 2026, números superiores aos estimados para o país.
Para 2027, o cenário é mais desafiador. A previsão para o Brasil foi reduzida para 2%, refletindo a expectativa de menor demanda global, aumento de custos de insumos — como fertilizantes — e condições financeiras mais restritivas.
O Fundo destaca, no entanto, que o país possui fundamentos considerados sólidos, como reservas internacionais robustas, menor dependência de dívida externa e regime de câmbio flexível, fatores que podem amenizar os impactos do cenário externo.
No cenário base, o FMI considera que o conflito no Oriente Médio terá duração limitada. Ainda assim, cenários alternativos indicam riscos relevantes: caso haja interrupções prolongadas no fluxo de energia, o crescimento global pode cair para níveis próximos de recessão, com inflação mais elevada.
Diante desse ambiente, a recomendação do Fundo é de cautela. O organismo orienta que bancos centrais priorizem o controle da inflação, enquanto políticas fiscais devem ser direcionadas e temporárias, evitando medidas de alto custo e baixa eficácia.