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Publicado em 17/06/2026, às 19h52 Reprodução/ Site Prime You Jussier Lucas
O ex-comandante de um iate utilizado pelo banqueiro Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal ter sido ameaçado após documentar uma série de ocorrências registradas durante passeios da embarcação em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro. Os relatos fazem parte das investigações da Operação Compliance Zero, que apura a atuação de um grupo supostamente ligado ao empresário.
Segundo o marinheiro Luis Felipe Woyceichoski, as anotações incluíam danos causados à embarcação durante festas e passeios, como colisões envolvendo jet skis, quebra de taças de alto valor e avarias em estofados.
O objetivo dos registros, de acordo com ele, era evitar que a tripulação fosse responsabilizada por prejuízos causados por convidados.
Woyceichoski trabalhou por cerca de um ano e sete meses no comando do Solar, um iate de luxo utilizado exclusivamente por Vorcaro. Em depoimento, ele relatou que passou a enfrentar problemas após registrar ocorrências consideradas por ele como inadequadas para a operação da embarcação.
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Entre os episódios descritos à Polícia Federal, o ex-comandante mencionou uma colisão de jet ski contra a estrutura do barco, a quebra de taças avaliadas em cerca de R$ 1 mil cada e manchas provocadas por bronzeador em áreas estofadas da embarcação.
Segundo ele, os registros eram feitos como parte do diário de bordo e serviam para documentar danos e extravios de objetos durante os eventos realizados a bordo. O marinheiro afirmou que a prática passou a gerar desconforto e, posteriormente, teria motivado ameaças.
De acordo com o depoimento, em junho de 2024, homens identificados por ele como integrantes de um grupo ligado a Vorcaro procuraram por sua localização em uma marina de Angra dos Reis. Como estava fora da cidade, ele teria recebido uma ligação com tom intimidatório, na qual o interlocutor demonstrava conhecimento sobre sua rotina e familiares.
As declarações foram prestadas no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga a suposta existência de um grupo conhecido como “A Turma”. Conforme a Polícia Federal, a organização seria formada por operadores do jogo do bicho, policiais federais e hackers, com a finalidade de monitorar, intimidar e coletar informações sobre pessoas consideradas desafetas de Vorcaro.
O ex-comandante também relatou que, após os episódios de ameaça, foi desligado da função e decidiu deixar Angra dos Reis imediatamente por questões de segurança.
As investigações apontam que integrantes do grupo utilizavam veículos blindados, portavam armas e atuavam em ações de vigilância e intimidação. Segundo a PF, um dos investigados citados pelo marinheiro seria Manoel Mendes Rodrigues, apontado como líder do grupo no Rio de Janeiro.
Atualmente, Daniel Vorcaro e Manoel Rodrigues estão presos preventivamente por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso. Entre os fundamentos da decisão estão suspeitas de intimidação contra pessoas que contrariavam interesses ligados ao Banco Master.