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Publicado em 04/11/2026, às 17h18 Jussier Lucas
O Brasil poderá enfrentar um aumento de 20% a 40% nos casos de dengue em 2027. A estimativa foi apresentada pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira (4) e considera os possíveis efeitos do El Niño sobre as condições climáticas e a circulação do vírus.
Diante da projeção, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que espera retomar a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. O imunizante, chamado Butantan-DV, está com o uso suspenso desde junho, após a identificação de eventos adversos que passaram a ser investigados pelas autoridades sanitárias.
Apesar da expectativa do ministro, ainda não há previsão para a retomada da vacinação. A decisão depende da conclusão das análises de segurança, que envolvem o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e especialistas.
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Segundo Padilha, a possível alta nos casos está associada às mudanças climáticas provocadas pelo El Niño e às condições que favorecem a circulação do vírus. O ministro também destacou que a redução das infecções nos últimos dois anos pode deixar mais pessoas suscetíveis aos diferentes sorotipos da dengue.
A preocupação inclui regiões que podem enfrentar períodos de seca mais intensa, como o semiárido e a Amazônia. A estimativa apresentada pelo governo é nacional e não representa uma previsão específica para o Rio Grande do Norte.
O Ministério da Saúde não detalhou os dados utilizados para calcular a projeção de crescimento entre 20% e 40%. A expectativa, portanto, indica um cenário de atenção para 2027, mas não representa uma confirmação de que o aumento ocorrerá nessa proporção.
A aplicação da Butantan-DV foi interrompida em 8 de junho, por precaução, depois que foram identificadas 42 pessoas com sinais de alerta após receberem o imunizante. Três ocorrências foram classificadas como graves, incluindo duas mortes.
O registro desses episódios após a vacinação, no entanto, não comprova que tenham sido provocados pela vacina. A suspensão permitiu investigar as circunstâncias dos casos e verificar se existe relação entre os eventos adversos e o imunizante.
A Butantan-DV é aplicada em dose única e integra a estratégia de ampliação da proteção contra a dengue. Enquanto a análise de segurança não for concluída, a vacina permanece fora da campanha de imunização.
A suspensão não afetou a Qdenga, produzida pela farmacêutica Takeda e utilizada no Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Padilha afirmou que, neste momento, não está em discussão a ampliação do público atendido por esse imunizante.