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Cursos de Medicina mais novos preocupam após desempenho abaixo do esperado

Dados recentes mostram que cursos de Medicina mais novos têm os piores resultados no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica  |  Freepik

Publicado em 04/05/2026, às 16h29   Freepik   Jussier Lucas

Os cursos de Medicina mais recentes no Brasil concentram os piores resultados no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica, segundo dados divulgados recentemente. O cenário levanta preocupação sobre a qualidade da formação médica diante da expansão acelerada do ensino superior no país.

De acordo com levantamento do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde, há uma relação direta entre o tempo de criação dos cursos e o desempenho obtido na avaliação. Graduações abertas nos últimos anos aparecem com maior frequência entre as notas mais baixas, enquanto cursos mais antigos concentram os melhores resultados.

A análise também aponta diferenças estruturais significativas entre as instituições. Cursos com desempenho inferior tendem a ter menor proporção de professores doutores e estrutura acadêmica menos consolidada.

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Expansão e desafios na qualidade

O Ministério da Educação criou o Enamed como ferramenta para medir a qualidade da formação médica no país, avaliando estudantes concluintes. Na primeira edição, centenas de cursos participaram, e uma parcela significativa apresentou desempenho abaixo do esperado.

Entre os principais fatores associados aos resultados mais baixos estão a expansão acelerada de cursos, especialmente na rede privada, e a abertura de graduações sem a consolidação de infraestrutura adequada e corpo docente qualificado.

Em muitos casos, essas instituições estão localizadas em cidades menores e enfrentam dificuldades para oferecer campos de prática e atrair professores com alta titulação.

Já os cursos com melhores avaliações apresentam maior presença de docentes com doutorado e estrutura acadêmica mais robusta, geralmente em universidades públicas ou centros urbanos com tradição no ensino superior.

O avanço desordenado na criação de cursos levou o governo federal a estabelecer, em anos anteriores, uma moratória para novas graduações na área. Ainda assim, decisões judiciais permitiram a continuidade da expansão.

Especialistas avaliam que o desafio não está apenas na quantidade de cursos, mas na garantia de qualidade.

A ausência de critérios mais rigorosos e de fiscalização contínua pode impactar diretamente a formação de futuros médicos e, consequentemente, o sistema de saúde no país.

O Enamed surge, nesse contexto, como um instrumento estratégico para monitorar o desempenho das instituições e orientar políticas públicas voltadas à melhoria do ensino médico no Brasil.

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