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Publicado em 08/06/2026, às 12h36 Marcelo Camargo/Agência Brasil Giovana Gurgel
O contingenciamento de R$ 4,3 bilhões no orçamento do Ministério da Defesa levou o Exército Brasileiro a suspender operações de monitoramento e combate ao crime organizado nas fronteiras do país. A medida afeta diretamente ações estratégicas desenvolvidas em regiões consideradas rotas de entrada de drogas e de atuação de facções criminosas.
De acordo com informações apuradas pela CNN, cerca de R$ 1,5 bilhão do valor bloqueado seria destinado ao Exército, responsável por operações de fiscalização e repressão a atividades ilegais em áreas de fronteira.
A interrupção ocorre em um momento de crescente preocupação com a atuação de organizações criminosas na América do Sul. Recentemente, os Estados Unidos classificaram o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, decisão contestada pelo governo brasileiro.
Fontes militares ouvidas pela CNN afirmam que boa parte das atividades das facções criminosas está concentrada justamente nas regiões de fronteira, onde ocorrem crimes como tráfico de drogas, contrabando, garimpo ilegal e desmatamento.
As ações suspensas são coordenadas principalmente pelo Comando Militar da Amazônia e pelo Comando Militar do Oeste, responsáveis por áreas que fazem divisa com países produtores de cocaína e por onde parte da droga ingressa em território brasileiro. Segundo os militares, a redução dos recursos compromete diretamente a capacidade operacional das tropas e limita o alcance das ações de vigilância e repressão em pontos considerados sensíveis para a segurança nacional.
Entre as iniciativas mais conhecidas está a Operação Ágata, realizada regularmente pelo Exército nas fronteiras brasileiras. Somente neste ano, a operação apreendeu mais de 15 toneladas de drogas durante ações na Amazônia. Além das apreensões de entorpecentes, as equipes neutralizaram 62 dragas utilizadas em atividades de garimpo ilegal e interromperam a atuação de 117 balsas empregadas em práticas criminosas na região.
Os resultados alcançados pela operação reforçam a importância das ações de monitoramento e fiscalização nas fronteiras, agora impactadas pelo bloqueio de recursos imposto ao orçamento da Defesa.