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Celebrado anualmente em 26 de setembro, o Dia Nacional dos Surdos é uma oportunidade para ampliar o debate sobre inclusão, acessibilidade e os direitos da comunidade surda. No Rio Grande do Norte, o tema envolve milhares de pessoas e ainda esbarra em desafios como o preconceito e a falta de conhecimento sobre a Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Para tratar sobre estes desafios, o BNews RN procurou a Associação de Surdos de Natal (ASNAT). De acordo com Juliana Alves da Fonseca, presidente da entidade, dados do último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que mais de 40 mil pessoas no Rio Grande do Norte possuem algum tipo de dificuldade na audição. Destas, cerca de 3 mil vivem em Natal.
Formada em Letras Libras/Português e Pedagogia, Juliana explica que a ASNAT conta atualmente com 663 associados, e que a entidade tem atuação que abrange diferentes áreas da vida da comunidade surda. “A ASNAT trabalha o lado social, educacional, desportivo e cultural da comunidade surda”, afirma.
Entre as ações desenvolvidas estão o incentivo ao ensino de Libras e Português, o apoio à prática esportiva, com modalidades como futsal e vôlei de praia, além da promoção da socialização por meio de festividades e do encaminhamento de pessoas surdas para o mercado de trabalho.
Para Juliana, um dos principais obstáculos ainda é a existência de preconceitos e concepções equivocadas sobre a capacidade das pessoas surdas.
“Um dos maiores preconceitos é pensar que todo surdo é mudo ou que não consegue fazer as mesmas coisas que as pessoas ouvintes, desmerecendo a inteligência da pessoa surda”, destaca.
Ainda segundo a presidente da ASNAT, também existe uma carência de conhecimento da sociedade sobre a Libras e a cultura da comunidade surda, o que contribui para a manutenção de barreiras de comunicação e de convivência. A mudança, segundo ela, passa também por atitudes cotidianas.
“É importante aprender a se colocar no lugar do outro, tentar entender seus limites sem julgar. A partir daí, procurar aprender a usar uma comunicação mais clara e respeitosa possível”, afirma.
Quando questionada sobre qual seria a principal mudança que gostaria de ver na sociedade nos próximos anos, Juliana aponta para a ampliação da inclusão e da acessibilidade, especialmente em áreas essenciais como educação, trabalho e espaços públicos.
“Se eu pudesse escolher uma mudança, gostaria de ter mais inclusão e acessibilidade para os surdos, principalmente nas escolas, no trabalho e em lugares públicos. Uma sociedade acessível e com inclusão traria igualdade e respeito”, ressalta.
O Dia Nacional dos Surdos é comemorado anualmente em 26 de setembro. A data foi oficialmente instituída no Brasil por meio da Lei nº 11.796/2008 e serve como um momento de conscientização, reflexão e debate sobre os direitos, conquistas e a inclusão das pessoas com deficiência auditiva na sociedade.
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