Política
Um relatório de inteligência financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) colocou o Exército Brasileiro no centro de uma investigação sobre o Banco Master. O documento, enviado à CPI do Crime Organizado no Senado, revela que a Força repassou cerca de R$ 39 milhões à instituição em operações de crédito consignado para militares e pensionistas.
O alerta do Coaf foca no que aconteceu com o dinheiro após chegar ao banco. Segundo o relatório, houve "débito imediato" dos valores e uma concentração atípica de recursos em uma única titularidade, manobra que costuma ser usada para dificultar o rastreamento do destino final das cifras e esconder possíveis beneficiários reais.
O Banco Master foi credenciado pelo Exército em fevereiro de 2023. Embora o contrato tivesse previsão de durar até 2027, o Exército rescindiu o acordo unilateralmente em novembro de 2025, logo após a liquidação da instituição financeira pelo Banco Central.
Em nota, o Exército afirmou categoricamente que não houve prejuízo ao erário, pois o dinheiro tem origem privada (salário dos militares). A Força explicou que atua meramente como "ponte", descontando o valor autorizado pelo militar no contracheque e repassando ao banco.
A Força Aérea Brasileira (FAB) também confirmou ter operado com o Banco Master em 2024 e 2025, mas suspendeu todas as transferências assim que a liquidação do banco foi anunciada. Até o momento, a defesa do empresário Daniel Vorcaro, dono do banco, não se manifestou sobre as suspeitas levantadas pelo Coaf.
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