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Publicado em 16/09/2026, às 16h03 Divulgação/Seap José Nilton Jr.
O Instituto Avalia, responsável pela organização do concurso da Polícia Penal do Rio Grande do Norte, divulgou esclarecimentos sobre as provas objetivas aplicadas no último domingo (13). A manifestação acontece após a prisão de candidatos suspeitos de fraude e a circulação de uma fotografia que mostra um participante com o caderno de questões referente ao concurso.
Segundo o instituto, não há, até o momento, qualquer elemento que indique vazamento da prova ou comprometimento do sigilo do exame. A organizadora afirmou ainda que a imagem divulgada nas redes sociais não comprova que as questões tenham sido acessadas antecipadamente.
De acordo com o Instituto Avalia, o edital permitia que os candidatos deixassem os locais de aplicação levando o caderno de questões quando faltassem 60 minutos para o encerramento da prova. A empresa afirma que os elementos preliminares indicam que a fotografia começou a circular somente depois desse período.
A organizadora informou que iniciou uma apuração própria e conseguiu identificar o candidato que aparece na imagem. Os dados levantados serão encaminhados à Polícia Civil para que sejam investigadas as circunstâncias relacionadas à produção, utilização e divulgação da fotografia.
O Instituto Avalia também anunciou que o candidato será eliminado do concurso. A medida foi tomada para preservar a integridade do concurso, sem antecipar qualquer conclusão sobre eventual crime.
A organizadora ressaltou que a existência da fotografia, analisada isoladamente, não demonstra acesso antecipado às questões, quebra de sigilo ou produção da imagem durante o período em que a prova estava sendo realizada.
O Instituto Avalia também detalhou os mecanismos de segurança utilizados durante a aplicação das provas. Entre eles estavam registro fotográfico dos candidatos, detectores de metais, controle e acondicionamento de aparelhos eletrônicos, fiscalização de entradas, saídas e sanitários, acompanhamento dos deslocamentos e aplicação de diferentes versões das provas.
Segundo a empresa, 12 candidatos foram conduzidos à delegacia durante a operação de segurança. Outros 23 candidatos foram eliminados administrativamente por descumprimento das regras previstas no edital.
As prisões ocorreram em Natal e Mossoró. Conforme informações da Polícia Civil, os suspeitos são investigados por possível utilização de equipamentos eletrônicos para receber respostas durante a realização do exame.
Em Mossoró, dez pessoas foram presas e, segundo a investigação policial, foram encontrados indícios de utilização de equipamentos como pontos eletrônicos. Em Natal, outras duas pessoas foram presas sob suspeita de participação em um esquema no qual terceiros resolveriam questões fora dos locais de prova e transmitiriam as respostas aos candidatos.
A Polícia Civil continua investigando como funcionaria a possível fraude e se outras pessoas participaram do esquema. Entre as hipóteses analisadas está a atuação de indivíduos do lado externo dos locais de aplicação para resolver questões e repassar as respostas por meio de dispositivos eletrônicos.
O Instituto Avalia afirmou que as ocorrências identificadas durante a aplicação não significam, por si só, fraude generalizada no concurso. Para a organizadora, tentativas individuais de fraude que tenham sido identificadas e interrompidas não se confundem com o comprometimento do certame como um todo.
Paralelamente às investigações policiais, o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) abriu procedimento para verificar se existem elementos que possam justificar a anulação das provas escritas do concurso da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap).
A apuração é conduzida pela 70ª Promotoria de Justiça de Natal e considera, entre outros pontos, a prisão em flagrante de candidatos durante a aplicação da prova. O MPRN também analisa a circulação de fotografias de páginas do caderno de questões em aplicativos de mensagens.
Outro ponto sob análise são possíveis falhas nos mecanismos de segurança. Documentos encaminhados ao Ministério Público indicaram que a empresa organizadora não teria utilizado detectores de metais em todas as salas de aplicação.
Para esclarecer as circunstâncias, o MPRN solicitou informações à Secretaria de Estado da Administração (Sead) e ao Instituto Avalia. Os órgãos terão 15 dias para apresentar os dados requisitados.
Entre as informações solicitadas estão os locais de aplicação, os procedimentos de segurança empregados, a utilização de detectores de metais e eventuais contatos mantidos anteriormente com órgãos de inteligência e investigação.
O Ministério Público também acompanhará as investigações conduzidas pela Delegacia Especializada em Defesa do Patrimônio Público e Combate à Corrupção, responsável pela apuração das suspeitas relacionadas à realização das provas.
Enquanto o MPRN avalia se houve irregularidades capazes de comprometer a isonomia entre os candidatos, o Instituto Avalia sustenta que, até o momento, não identificou evidências de vazamento ou quebra do sigilo da prova e afirma que continuará colaborando com as autoridades.